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O Pequeno Príncipe | Crítica

30 08

2015

 

 

Título original: Le Petit Prince

Distribuidor: Paris Filmes

Ano de produção: 2015

Duração: 1h 50min

Direção: Mark Osborne

Nacionalidade: França

Gênero: Animação

Nota: nota 5 MIXSEA

 

 

 

 

O Pequeno Príncipe é uma obra do escritor Antoine de Saint-Exupéry, que também é o autor das ilustrações originais, e foi publicada em 1943. Por ter uma aparência típica de livros infantojuvenis, voltados para crianças principalmente, numa primeira leitura o livro pode ser colocado realmente para crianças, mas será que o grande teor poético e filosófico o faz mesmo para crianças? Será que as temáticas abordadas no livro, não muito experimentadas pelas crianças ainda, o faz ser voltado para esse público?

O que sabemos realmente é que a maior proposta desta nova adaptação cinematográfica do livro, feita pelo diretor Mark Osborne, não era reproduzir o livro para o visual, e sim captar a sua essência. E que essência.

“A gente corre o risco de chorar um pouco quando se deixa cativar.” – Pequeno Príncipe

A história do filme é sobre uma menininha que esta tentando ingressar em um colégio, e esta disposta a tudo para conseguir isso, com a ajuda de sua mãe super metódica. Essa meta se desvia um pouco quando essa menininha conhece seu vizinho, que já é velhinho mas é super irreverente e atípico de sua realidade. Esse velhinho é o responsável por apresentar a história do Pequeno Príncipe a ela, que se apaixona imediatamente e muda o seu modo de ver o mundo.

O visual do filme esta impecável, ele tem momentos com animação gráfica e momentos com “stop motion”, o que deu um toque muito refinado ao filme, e deu para ver a leveza das animações, a preocupação que tiveram com o resultado final.

Por curiosidade, andei lendo algumas outras críticas pela internet e cheguei a conclusão de que discordo com a maioria delas, portais famosos atribuíram nota 3 ou 4 ao filme, dizendo que a história se perde no terceiro ato, que é quando a menina vai atrás do Pequeno Príncipe.

“As estrelas são belas por causa de uma flor que não se pode ver…” – Pequeno Príncipe

Primeiro, temos que lembrar que o filme é uma adaptação do livro e não uma reprodução cinematográfica, eles não tinham obrigação nenhuma de seguir a risca o livro. Segundo, ao fazer um trabalho de representação de uma forma de arte à outra, existe sim mudanças que a arte de chegada exige; no livro temos um narrador que entrelaça os acontecimentos, no filme, a menina é que faz esse papel, ela entrelaça a sua própria história a do Pequeno Principe, além de trazer os temas abordados no livro para um contexto atual. Terceiro,  o terceiro ato incomodou muito algumas pessoas porque era uma parte que não existia no livro, e disseram que a trama se perdeu. Eu não penso dessa forma, achei incrível o terceiro ato, assim como todos os outros.

Essa parte do filme, nos tira da nossa zona de conforto, nos tira daquilo que já estamos acostumados a ver em animações. O livro do Pequeno Príncipe, em si, já não tem um vilão, e assim também é no filme, mas acho que as pessoas esperavam ver o Pequeno Príncipe como um herói, e o terceiro ato do longa desconstruiu essa ideia, como se dissessem “ninguém é perfeito”, “as pessoas se perdem de seu caminho, independente de quem ela seja”, e esta tudo bem, isso é normal, a frase que escutamos desde o inicio do filme “o problema não é ser adulto, é esquecer”, o Pequeno Príncipe ficou adulto, tudo bem, o problema foi que ele esqueceu. Esqueceu que as crianças tem suas próprias necessidades, que elas não são adultos em miniaturas, que não precisam ter grandes responsabilidades como os adultos, que elas precisam ser crianças. Que lição…. aos adultos.

E pensem só nessa temática, uma criança indo resgatar um adulto que se perdeu. Olha o quanto isso pode ser forte e impactante, talvez devêssemos parar de olhar as crianças como incapazes de uma coisa como essa, porque elas são,  e fazem isso de diferentes maneiras.

“O essencial é invisível aos olhos, e só se pode ver com o coração” – Pequeno Príncipe

Pequeno Principe - MIXSEA

O assunto renderia um artigo acadêmico, mas para não me estender muito termino dizendo que o filme vale a pena, é emocionante, um filme rico, com um cuidado em contar a história do Pequeno Príncipe, uma delicadeza, sutileza, que não tem como não se deixar ser cativado por ele. Acho muito bonito quando um profissional se propõe a fazer uma coisa e consegue de uma forma tão majestosa. Mas não adianta o filme ser fantástico, você como espectador deve estar aberto à novas experiências e deixar a fantasia tomar conta de você. Não é necessário entrar no cinema com os olhos de uma criança. O filme vai tocar e te mostrar o que é realmente essencial na vida. Dou então, nota cinco, não três nem quatro só para ser vista como uma crítica exigente, mas cinco, à um belo trabalho.

5 Comentários

  • Samanta - 03/09/2015 as 10:38 am

    Aleluia uma crítica que falou tudo o que eu penso

  • Amelia - 04/09/2015 as 8:40 pm

    Nossa, que lindo!! Melhor crítica que li até agora desse filme

  • Adriano - 09/09/2015 as 2:43 am

    Finalmente uma crítica sensata.

  • Petros - 01/10/2015 as 12:41 pm

    É dito que, muitas vezes procuramos uma opinião parecida para assim, nos sentirmos confortáveis,e devo dizer, concordo plenamente com vocês Mixsea. Obrigado por me trazerem uma critica linda, e reconfortante pois, agora sei que mais gente se maravilhou com o filme e diferente de certos sites (*cof* *cof* Omelete… *cof* *cof* adorocinema) analisaram a obra como um todo, não com displicência.

  • Camila - 04/01/2016 as 5:18 pm

    Toda vez que vejo esse filme choro! É lindo de mais!

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