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Adaptação de “Os Miseráveis” por Walcyr Carrasco | Resenha

22 12

2015

Vivemos sempre nos limites. Limite do cansaço, stress, tempo, arrependimento. Por isso, faço questão de apresentar-lhes Jean Valjean, que também viveu sempre no limite. Limite da fome, medo, miséria, justiça, esperança, compaixão, e paixão. Os limites, não são para ser comparados, e sim testados, então não veja os seus como maiores ou menores do que o do nosso personagem, e teste comigo os limites da adaptação da história deste homem que é boa, nível: fora dos limites.

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Titulo: Os Miseráveis

Autor: Victor Hugo

Tradução e Adaptação: Walcyr Carrasco

Ano: 2012

Páginas: 214

ISBN: 978-85-16-07973-4

Editora: Moderna

Nota: nota 5 MIXSEA

 

Nas primeiras páginas do livro, temos o prefácio, o qual foi muito bem produzido por Marisa Lajolo, que faz uma abordagem histórica da obra original, e conta um pouco sobre a adaptação. Em seguida, Lajolo juntamente com Luciana Ribeiro apresentam uma linha do tempo com algumas curiosidades e principais acontecimentos em relação à obra original; e por último, antes da história se iniciar de fato, temos uma exposição de imagens dessas curiosidades e acontecimentos. Esses elementos extras que o livro traz são uma mina de enriquecimento dos saberes sobre o que está acontecendo, o que é uma adaptação e o que está sendo adaptado ali.

“Adotarei a única atitude possível a um homem de bem. Vou salvar o homem!” (pg. 99)

Quando a narrativa começa de fato, deparamo-nos com uma grande sensibilidade de Walcyr Carrasco para com a literatura. Ele consegue ligar os acontecimentos não só resumindo o texto integral e colocando notas de rodapés para explicar os acontecimentos suprimidos. Ele consegue manter a delicadeza da história de Victor Hugo, tentando ao máximo permanecer com a estrutura do original, inclusive na relação entre narrador e leitor, que é bem peculiar.

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As questões que a história de Jean Valjean trazem, apesar de não serem leves, são também um ponto a mais que pode incitar questões novas nas mentes dos jovens leitores; ou na sua, que me lê isso agora e que não fez o desmame ainda; tornando-os mais críticos. Afinal de contas, prisões arbitrárias, miséria, fome e julgamentos errôneos são coisas que temos em nosso dia a dia até hoje, infelizmente; lembrando que a história foi publicada em 1862; isso com certeza nos diz muito sobre a sociedade em que vivemos.

O alto luxo da França no século XIX contrasta com a pobreza extrema de uma população que luta para sobreviver e não está nem um pouco satisfeita com a desigualdade social (e quem está?). Esse é o contexto histórico em que se passa a trama, mas poderia estar nos jornais de hoje, no Brasil. É isso que torna Os Miseráveis um clássico, a história atemporal, o retrato de um contexto histórico importante e que desperta o interesse da sociedade e o impacto expressivo que é capaz de deixar nela. E por que privar isso das crianças e adolescentes se eles vivem na mesma sociedade que a nossa? É por isso que temos as adaptações.

“A maior justiça é feita pela consciência!”  (pg. 90)

Além de tudo isso, a história também nos traz uma grande lição sobre amor e esperança. Um menino pobre, que foi criado pela irmã mais velha que já tinha muitos filhos, rouba um pão para matar a fome e é preso. Após 19 anos na prisão, este menino se torna homem, um bruto, pois o tempo o fez assim. É solto, mas apesar de ser liberado da galés, Jean Valjean nunca foi desprendido de seu passado, e mesmo tendo se tornado uma pessoa caridosa, e benfeitora, o que ele, e a sociedade não podiam esquecer, é que era um ladrão, um criminoso. A história deste homem é feita de uma esperança sem tamanho, mesmo quando tudo ia mal, Jean Valjean sabia que se fugisse e continuasse sendo condizente com o que acredita, ele estaria bem, e seguro.

Muita gente acredita que as pessoas não são capazes de mudar, mas Jean Valjean é um exemplo de que isso é possível. Podemos ver o que aquele homem bruto se tornou, ele experimentou uma forma de amor diferente de tudo o que já tivera visto. Depois que o bispo fez um ato de bondade com ele, e mudou o seu modo de ver as coisas, ele multiplicou o ato de bondade todos os dias de sua vida, até o fim. É incrível ver como o amor dá um sentido em nossas vidas, Jean Valjean teve um novo sentido de vida ao conhecer o bispo, e também ao conhecer Cosette, a qual criou como sua filha. A capacidade de amar o tornou mais completo, depois que ele soube como receber e oferecer o amor que tinha aos outros. O amor torna o mundo melhor. E porque privar essas questões das crianças e adolescentes se eles também as têm? É por isso que temos as adaptações. E esta é um bom exemplo de que não são menos literatura por serem adaptações.

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Para finalizar, gostaria de parabenizar a Editora Moderna pela iniciativa de adaptação de clássicos, já que “Os Miseráveis” que os apresentei, faz parte de uma série chamada “clássicos universais”. Nesta série a editora adapta outros clássicos para o infantojuvenil como por exemplo Dom Quixote, A megera domada, A Dama das Camélias, e outros.

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