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O Regresso tem cenas simples com muito sentimento e é maravilhoso| Crítica

19 02

2016

Indicado ao Oscar em 12 categorias, O Regresso (direção de Alejandro Iñárritu) supera expectativas, transmite sentimentos em cenas simples e foge da leitura feita pela história do “homem branco bom” contra os “índios maus”.

 

Título: O Regresso (The Revenant)

Direção e Roteiro: Alejandro González Iñárritu

Ano: 2016

Duração: 2 horas e 36 minutos

Nacionalidade: EUA

Gênero: Faroeste, aventura

Nota: nota 5 MIXSEA

 

 

 

 

O filme datado em 1822 tem como protagonista Hugh Glass (Leonardo DiCaprio), cuja jornada rumo ao oeste não poderia ter sido mais árdua. Atacado por um urso e seriamente machucado, sendo deixado para trás por sua “equipe” de caça com ninguém menos que John Fitzgerald (Tom Hardy), que lhe rouba, quase literalmente, tudo o que lhe restava em vida. Glass sobrevive – não vive, sobrevive – em meio às imensas adversidade na busca de um propósito: vingança.

Imagem de river, snow, and blood

O enredo interessante e cativante da história não é, no entanto, o único motivo pelo qual a obra de Iñárritu é implausível. O aspecto visual do filme é fantástico, com uma fotografia incrível  e, pode se dizer, bela e métodos de filmagem, somados às interpretações (grande parte por DiCaprio), impecáveis na hora de transmitir o sentimento e a realidade da cena.  Como os closes no rosto de DiCaprio ou o ângulo da câmera de baixo para cima, de modo a mostrar a insignificância humana em meio a grandiosidade da natureza. Além disso, a trilha sonora acompanha e marca muito bem cada momento sem deixar a desejar.

À parte das questões técnicas, o filme faz uma reeleitura dos acontecimentos da conquista do oeste do século XIX. Somos acostumados a ver nos filmes, especialmente estadounidenses, inimigos ou antagonistas russos, chineses, terroristas, ou seja, o outro lado, normalmente negativo, dos Estados Unidos. Em O Regresso isso não acontece (não é tão incisivo). Na história dos Estados Unidos, a conquista para o oeste foi marcada por derramamento de sangue indígena. No entanto, sob a máscara do destino manifesto, de que os moradores brancos das 13 colônias eram destinados a libertar e civilizar o oeste, milhões de índios morreram e  várias culturas foram destruídas.

Imagem de leonardo dicaprio, movie, and the revenant

O Regresso

No filme, a equipe de Glass foi atacada, logo nas cenas iniciais, por uma tribo de índios (Arikaras) o que daria a entender que, mais uma vez, eles seriam os vilões da história. No entanto, com o desenvolvimento do longa, percebe-se uma complexidade maior do que isso, especialmente conforme o passado de Glass começa a ser revelado. Há dois momentos que demonstram o que está sendo escrito aqui. O primeiro é quando um índio (cuja tribo não me recordo) tem um diálogo com Glass e relata o seu ponto de vista da marcha para o oeste. O segundo é a cena final do filme (deixo a vocês descobrirem o porquê dessa). (Até o motivo pelo qual os Arikaras atacam os “homens brancos” é mais honroso do que o do Destino Manifesto).

Cabe a Fitzgerald, portanto, assumir o posto de vilão de O Regresso. No personagem (em em Glass, em partes, também), toda a ganância, crueldade e sujeira humana é materializada. E são essas características especificamente humanas o mais relatado. Em 2 horas e 36 minutos vê-se sangue, violência, frio, solidão, desespero e renascimento. Vê-se até que ponto o homem é capaz de sobreviver em busca de vingança e até que ponto o homem é covarde o bastante para não ajudar o próximo. Vê-se até que ponto o homem chega por causa de dinheiro e conforto e até que ponto ele age para proteger quem ama.

O Regresso é, em suma, uma obra prima, marcada pela volta à selvageria humana. Com cenas de “revirar o estômago”, atuações memoráveis, uma direção impecável e uma produção mais impecável ainda não espanta as 12 indicações ao Oscar 2016. Muito pelo contrário, chama-as para si.

Imagem de the revenant

Obs.: Vale a pena conferir algumas entrevistas dos envolvidos no filme antes de vê-lo. Isso garante maior veracidade ao que está sendo exposto na tela do cinema, deixando a experiência do espectador mais intensa (vai por mim). Para isso clique aqui, aqui ou procure no famigerado google.

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