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A Literatura e a Música em 50 anos de carreira de Chico Buarque

06 04

2016

A música e a literatura possuem uma relação intrínseca, que se configura na produção da arte ao fazer o leitor ou ouvinte produzir em suas próprias mentes histórias, mundos e universos. Desde da antiguidade poesias se tornavam músicas, e vice-versa, e até hoje observamos que a música, letrada principalmente, nos enche de sentimentos que a literatura também produz. Elas são irmãs ou amigas de infância, que narram histórias. As vezes de maneira mais poética, outras vezes mais marginal, mas sempre as captamos, seja ouvindo ou lendo.  Existem alguns cantores/compositores/poetas que deixam essa relação bem mais clara: Cazuza, Cássia Eller, Milton Nascimento, Nando Reis, Chico Buarque, são exemplos.

Dentre todos esses, escolhi falar sobre Chico Buarque. São 50 anos de carreira, de composições, obras literárias, peças de teatro, de arte. Não é errado dizer que Chico é um dos maiores artistas do Brasil. Ele é completo, dinâmico, inteligente e poético. O verdadeiro significado de Chico Buarque está em suas letras, melodias e histórias que ele constrói a cada música que compõe e canta. Em uma época onde encontrar a poesia na música é rara (com exceção da nova MPB e cantores como Cícero, 5 à seco e Tiago York) ouvir Chico é uma viagem, um encontro a algo que são se acha mais muito por aí. Não me desfazendo dos outros cantores, mas acredito que para quem gosta de MPB, deste estilo de música, Chico é rei.

Um artista completo

Na música, as letras de Chico podem ser divididas em três seguimentos: Amores, crítica social e política e malandragem.

O amor e a paixão são o ponto central da maioria das músicas do compositor. São mulheres como Ana, Nina, Beatriz, Geni, Terezinha, Joana, que são bailarinas, atrizes, prostitutas, donas de casa. São canções como “Futuro Amantes”, “Tipo um baião”, “Se eu soubesse”, “Olho nos olhos”, “Mulher, vou dizer quanto te amo”, “O meu amor”, “João e Maria” que nos fazem querer relacionamentos e amores fortes e intensos.  São letras apaixonadas e apaixonante, escritas por alguém que foi casado por mais de 30 anos e que já teve relacionamentos rápidos, mas que expressam seus sentimentos.

Durante a ditadura militar, Chico utilizou-se da música para expressar o descontentamento com a situação política nacional. Em meio aos anos 60 e 70, a censura, o autoexílio, as discussões com os representantes tropicalistas que o consideravam ultrapassado, o compositor expressava sua esperança e criticava a repressão por meio das canções. “A banda” “Cálice”, “Roda Viva”, “Apesar de você”, “Cordão”, “Quando o carnaval chegar”, “Cotidiano” e “Deus lhe pague representam bem esse período.

Muito perseguido, o compositor chegou a inventar o pseudônimo Julinho de Adelaide para conseguir passar pela censura, afinal ele estava sendo perseguido pelos censores que cortavam qualquer uma de suas músicas. Chico Buarque escreveu e cantou várias músicas de cunho social, como “Construção”, “A violeira”, “Mulheres de Atenas” e “O meu guri”

Outro assunto recorrente na obra de Chico é a malandragem. “Vai trabalhar vagabundo”, “Feijoada Completa” e as músicas das peças de teatro “Ópera do Malandro”, “Gota d’água”, “Saltibancos”, como “Homenagem ao malandro”, “A volta do malandro”, são composições que expressam essa temática.

O teatro foi outro espaço artístico explorado por Chico Buarque: “Roda viva”, “Calabar: o Elogio da Traição”, “Gota d’água”, “Ópera do malandro” e “O Grande Circo Místico” foram peças escritas por ele, enquanto “Morte e vida Severina” e o infantil “Os Saltimbancos” foram apenas musicadas.  Chico Buarque também já escreveu cinco romances: “Estorvo”, “Benjamim”, “Budapeste”, “Leite Derramado” e “O irmão Alemão”. Mesmo não sendo obras primas da literatura, são livros interessantes, bem subjetivos, que narram histórias intensas.

Chico Buarque é um ícone da música brasileira, isso não se pode negar. Consegue transformar ruins momentos em prazerosos com suas letras cativantes e sua voz suave, com as histórias que escreve através das composições, com seus olhos azuis (não poderia deixar de comentar). Claro que ele não é perfeito, mas suas qualidades conseguem se sobressair. Com seus 71 anos, ainda arranca suspiros com seu olhar e, principalmente, através de sua alma que está expressa dentro de suas canções.  Precisamos de mais Chicos, mas ao mesmo tempo, não queremos. Chico Buarque é único.

Bônus:

Texto de Susana Reis e revisão de Juliana Skalski

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