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Netflix disponibiliza documentário de Iris Apfel, uma das pessoas mais poderosas da moda aos 94 anos | Crítica

02 11

2015

 

Título original: Iris

Ano de produção: 2014

Duração: 1h 23min

Direção: Albert Maysles

Nacionalidade: EUA

Gênero: Documentário, Biografia

Nota: nota 5 MIXSEA

 

 

Vagando pelo universo profundo da Netflix achei um documentário sobre uma senhora de 94 anos que tem uma das maiores coleções de peças de roupa da alta costura, achei interessante, então fui assistir. O nome dessa maravilhosa mulher é Iris Apfel, ela é estilista, disigner de interiores e empresária, apesar de sua idade, ela nunca se cansa e tem uma agenda cheia. Sua felicidade e a alegria de suas roupas a tornam única.

O documentário mostra como é a rotina da Iris e toda a sua história no mundo da moda, desde sua primeira exposição até os dias de hoje, conta de todas as sua viagens e de seu casamento com Carl Apfel (que faleceu este ano no dia 1 de agosto aos 100 anos de idade, iria fazer 101 no dia cinco do mesmo mês). O diretor do filme Albert Maysles (falecido em Março deste ano) quis mostrar a essência da Iris, ela nos lembra que nós não temos regras para nos vestir, ela compra as coisas que gosta e as usa, a paixão pela arte, pela moda e pelas pessoas é o sustendo dela.

Em uma entrevista, Iris Apfel fala:“Envelhecer não é para maricas, vou te contar. É muito engraçado. Eu tenho uma querida amiga cuja mãe faleceu, mas ela era muito engraçada. Quando eu perguntava ‘Yuda, como você está se sentindo?’, ela dizia, ‘Oh – quando eu acordo de manhã, de todas as coisas que eu tenho duas unidades, uma dói’. Você tem que se forçar quando você é velho, porque é muito fácil cair na armadilha. Você começa a desmoronar – e precisa fazer o melhor possível para se manter firme. Acho que fazer coisas e se manter ativo é muito importante. Quando sua mente está ocupada, você não sente tanta dor. Graças a Deus eu amo fazer coisas. Eu me sinto abençoada por ter todas essas oportunidades nessa fase da vida”.

Veja o trailer:

“Você pode tentar ser alguém que não é, mas isso não será estilo. Se alguém diz: ‘compre isso, estará estilosa’, não estará estilosa porque não será autenticamente o que é. Primeiro precisa saber quem você é, e isso é um processo doloroso”.

-Iris Apfel

Perdido em Marte | Crítica

11 10

2015

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Título original: The Martian

Distribuidor: FOX Filmes

Ano de produção: 2015

Duração: 2h 24min

Direção: Ridley Scott

Nacionalidade: EUA

Gênero: Ficção Científica

Nota: Nota 3 MIXSEA

 

 

Longa metragem adaptado de livro homônimo de Andy Weir cumpre relativamente bem função de entreter, mas apenas isso.

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O filme inicia com uma equipe de astronautas da NASA em missão em Marte e, entre eles, há Mark Watney (interpretado por Matt Damon). Devido a uma tempestade no planeta vermelho, a equipe é tem que deixar o planeta para não ter seus equipamentos danificados. Watney é atingido por um fragmento metálico, se perde e é dado como morto pela comandante Melissa Lewis, que já ordena todos a entrarem na nave para fugirem do planeta. Watney, na verdade, está vivo e sozinho e “perdido” em Marte. Então há uma preocupação com a quantidade de alimentos, a possibilidade de morrer diante de adversidades e o tempo ficará no planeta (uma viagem entre a Terra e Marte, na vida real, demora muito, há problemas com gerenciamento de combustível e deve-se prever a trajetória da nave em pontos estratégicos da órbita dos planetas para ganhar velocidade e poupar combustível).

Ao longo do filme Watney grava uma espécie de diário que vai se tornando monótono e extremamente repetitivo. Posteriormente ele consegue se comunicar com a NASA, informar que não está morto e vira notícia. No possível clímax do longa, ao enfrentar dificuldades com as órbitas dos planetas, lançamento e combustível, ocorre uma bizarra, utópica e praticamente impossível parceria entre os EUA e a CHINA. Há uma série de reviravoltas que quebram, de uma forma equivocada e até meio contraditória, o que era estimado até ali. Watney personaliza o equipamento que ele usará pra ser salvo com artifícios rudimentares para ir ao espaço (inclui uma lona de plástico).

https://i0.wp.com/cdn-9chat-fun.9cache.com/media/photo/aamO0LVvo_840w_v1.jpg?resize=423%2C277O longa tem diálogos simples, uma preocupação (que chega a ser exagerada) com as ciências em alguns momentos e é, visualmente, realista, além do 3D satisfatório, mas apela para um trilha sonora de hits pra conquistar o espectador. Além disso, em determinadas cenas, Watney se safa de inúmeros problemas na estrutura das instalações com fita isolante e lona: praticamente um MacGyver. Além disso, falta drama e o protagonista exagera nas piadinhas de adolescente de 12 anos. O site Observatório do Cinema definiu o filme como uma “mistura de Gravidade com Náufrago” e é exatamente isso que senti ao assistir ao longa.

Talvez depois do fantástico Intestelar lançado ano passado, as expectativas com esse segmento de filme aumentaram. No entanto, não duvido que “Perdido em Marte” seja premiado, pois até o pior e chato Gravidade foi relativamente aclamado (mas vamos combinar que lá havia Sandra Bullock pra tentar ajudar).

Por outro lado, o filme é bem fácil de entender e de acompanhar além de não exigir muita reflexão ou atenção. Ou seja, é um filme-3D-padrão-água-com-açúcar-para-mero-entretenimento. Nesse segmento, cumpre bem seu papel, pois não é tão difícil ficar sentado mais de duas horas assistindo ao filme.

Assista ao trailer de “Perdido em Marte”:

Crítica do primeiro episódio de American Horror Story: Hotel “Checking In”

09 10

2015

Foi criada uma grande expectativa em cima do primeiro episódio da quinta temporada da tão aclamada série de horror, American Horror Story, devido a enorme divulgação feita em cima da personagem principal. Com a saída de Jessica Lange, o papel principal foi dado a Lady Gaga, mas apesar disso, muitas pessoas não colocaram muita fé em uma cantora pop, atuando como personagem principal da temporada.

Entretanto, pelo que podemos ver das poucas falas que a Condessa (personagem de Lady Gaga) possui no primeiro episódio, atuar é mais um de seus grandes talentos. E não para por ai.

O episódio começa com duas amigas chegando para fazer o check in no Hotel Cortez, e a partir do momento em que entram no hotel, as duas se deparam com as coisas mais inusitadas que se podem imaginar, sem falar que ficamos tensos antes mesmo da abertura começar.

O episódio segue com o assassinato de dois adúlteros, em um outro hotel da cidade e ninguém tem a mínima noção de quem é o assassino até o momento.

Mas uma cena que marcou o episódio, e isso eu posso afirmar com toda certeza que todos ficaram chocados com o final, foi a cena em que a Condessa e Donovan (personagem de Matt Bomer) se arrumam e saem do Hotel para assistir a um filme mudo no cemitério, lá eles seduzem um casal e os levam para um quarto do Hotel Cortez. Quando chegam no quarto eles começam a fazer sexo, isso mesmo, até chegar um momento em que Gaga e Bomer se olham e contam as gargantas das vítimas para beber o sangue deles.

Os personagens de Gaga e Boner possuem um vírus que faz com que eles precisem beber sangue humano.

Mal podemos esperar pra saber como será o próximo episódio!!!

Pelo visto essa temporada estará cheia de exageros, em questão de sexo, nudez, estupros e drogas, lembrando que hoje as 21hrs tem reprise no canal FX.

Confira a promo do episódio 2:

Em entrevista para o Jimmy Fallon, Lady Gaga disse qual é a sua relação com o horror e conta como foi as audições para o papel, olha só:

In your eyes | Crítica – Filme

05 10

2015

 

Título original: In your eyes

Ano de produção: 2014

Duração: 1h 45 min

Direção: Brin Hill

Nacionalidade: EUA

Gênero: Romance, Comédia e Drama

Nota: nota 4 MIXSEA

 

 

Rebecca (Zoe Kazan) é uma mulher casada que, por algum motivo tem uma conexão com o Dylan (Michael Stahl-David), eles moram em cidades diferentes e em países diferentes, não sabem o motivo dessa conexão mas conseguem conversar, ver pelos olhos do outro e sentir as mesmas dores. Como a Rebecca estava conversando muito “sozinha” seu marido Phillip Porter (Mark Feuerstein) acha que ela está ficando louca e faz tudo para ela “voltar ao normal”.

Eu estava procurando no Netflix algum filme para ver, quando vi que esse exitei um pouco porque sou muito exigente quanto aos filmes de romance, In your eyes não é um típico filme onde a garota conhece o cara e por aí vai,  pelo contrário, é um filme diferente de todos que eu já vi e enquanto assistia, consegui ter vária emoções diferentes. A trilha sonora é ótima e o filme é muito bom, a qualidade da imagem é excelente e tem várias imagens naturais lindas.

Joss Whedon escreveu o roteiro em 1992, quando tinha 28 anos e estava prestes a mudar-se para Los Angeles.Vale a pena ver o filme se você gosta de ver romances que não são exagerados como a maioria e de se divertir. No filme da para perceber o quanto a trilha sonora influencia no filme, as músicas são muito boas  e se encaixam perfeitamente em cada momento do filme, até na parte dos créditos, vale a pena ficar e ouvir. Aqui está o trailer:

“Que Horas Ela Volta?” | Crítica e Reflexão

27 09

2015

Que Horas Ela Volta MIXSEA

Título original: Que horas ela volta?

Coprodução: Globo Filmes, Gullane, África Filmes

Ano de produção: 2015

Duração: 1h 51min

Direção: Anna Muylaert

Nacionalidade: Brasil

Gênero: Drama

Nota: nota 5 MIXSEA

 

A aposta brasileira para disputar, em 2016, uma das cinco vagas na categoria de melhor filme estrangeiro no Oscar é o longa “Que Horas Ela Volta?” da diretora Anna Muylaert.

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O filme apresenta com maestria as diferentes classes sociais e ilustra a relação tradicional patrão-empregado. Regina Casé interpreta brilhantemente Val: uma empregada doméstica que trabalha e mora na casa de Bárbara (Karine Teles) e José Carlos (Lourenço Mutarelli), os patrões de classe média-alta.

Os patrões dizem que Val é “praticamente da família”: as refeições, por exemplo, são separadas; Val jamais senta à mesa com os patrões, apesar de montá-la e retirá-la; A empregada mora num quartinho dos fundos; Val nunca pôs os pés na piscina da casa. Ainda assim, afirmam que ela é “praticamente da família”.

A “casa grande” dos patrões é fria. A impessoalidade já é simbolizada pelo corredor que leva aos quartos: escuro, meio remoto e com portas predominantemente fechadas que não têm comunicação entre si. Em determinada cena, há um silêncio quase absoluto enquanto todos à mesa no jantar usam seus smartphones. Val exerce um papel mais verdadeiro de mãe aos filhos dos patrões do que (já me permito chamá-la apenas de) a biológica, tanto que o filme recebeu o nome “The Second Mother” fora do Brasil. Fabinho, o filho adolescente, vai frequentemente ao quarto de Val desabafar e receber um afeto genuíno. A “senzala” é, literalmente e simbolicamente, quente.

A diretora do filme tem o cunho social presente na maioria de suas obras. Nesta, o destaque à dialética patrão-empregado é fabulosa e, com ressalvas, atual. Regina Casé interpreta Val de forma brilhante. Trabalha com naturalidade e utiliza expressões típicas que trazem humor e ironia à trama.

A história adquire um novo rumo com a chegada de Jéssica (interpretada por Camila Márdila), filha que Val não via há 10 anos, morava no nordeste e veio a São Paulo prestar vestibular para ingressar na concorrida Faculdade de Arquitetura e Urbanismo (FAU) da USP. Se vê, portanto, um país ligeiramente mudado, em que pobre viaja de avião e consegue, mesmo que com inúmeras dificuldades, sonhar alto. Jéssica é questionadora, crítica, estrategista, subversiva, tem o “nariz empinado” e não aceita a relação a que a mãe é submetida. É incrível como é fácil se criar certa antipatia por ela durante boa parte da trama. Jéssica já meio que se convida a ficar no quarto de hóspedes, ao invés de dividir com a mãe o quartinho dos fundos – e José Carlos, o patrão, aceita, o que deixa Barbara, a patroa, possessa. Meio abusada, em certo momento, Jéssica faz a patroa da mãe preparar uma bebida pra ela. A filha da empregada dispensa, inclusive, o “Dona” ao chamar a patroa. Inversão dos papéis?

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Há vários símbolos no filme. No aniversário de Barbara, por exemplo, Val a presenteia com um jogo de xícaras e uma garrafa de café. A patroa finge que gosta, mas acaba fazendo pouco caso ao dizer algo do tipo “guarda lá que usamos em uma ocasião especial”. Val dispõe as xícaras na bandeja como ilustram os rótulos sociais: tudo separado – uma branca, uma branca, uma branca, uma preta… (Possível alusão à realidade que, no final, “o preto” não se encaixa no que é “de branco”?) No aniversário da patroa rica só se vê branco –xícaras e convidados. No evento, Val tenta usar as xícaras (não eram pra se usar “em uma ocasião especial?), no entanto, a patroa a repreende. Além disso, na casa são servidos dois sorvetes: o importado que “é do Fabinho” (filho dos patrões) e o outro qualquer que é do resto (inclui Val e Jéssica). Talvez exista aí mais uma alegoria de vários lares brasileiros.

Camila Márdila interpreta brilhantemente a adolescente que não entende o porquê não poder se sentar com os patrões. Sempre que ela tenta quebrar alguma convenção social se tem a impressão de que ela é “pra frente” demais, ou intrometida demais. Sim, um tapa na cara da classe média, pois, quando o espectador percebe, cria antipatia pela filha da empregada por, basicamente, negar o discurso dominante da elite. Afinal, segundo Michel Foucault, “ao afirmar a relação entre poder e saber, Foucault cria uma definição nova que garante que o poder do discurso pode funcionar negativamente, distorcendo a verdade e garantindo a dominação do poder opressor.”

Nota-se a proximidade de Fabinho com Val (e seu acolhimento materno) e de Jessica com o patrão (e sua cultura “erudita”, apesar das segundas intenções dele). Diante das estripulias da filha com os patrões, Val diz a ela que “quando eles oferecem alguma coisa é só por educação, porque eles têm certeza que vamos dizer não”. Ouvir isso dói, porque sabemos que é a realidade. Já sobre educação? Questionável.

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Jéssica não entende como a mãe nunca tenha entrado naquela piscina, sendo repreendida antes de pensar em entrar na água. O filho da patroa começa a brincar com Jéssica e a joga na piscina enquanto ela fingia (e apenas fingia) não querer, o que enfurece Bárbara e faz Val procurar uma casa para ela e a filha morarem. A negociação do aluguel dá errado e as duas têm que voltar à casa dos patrões. José Carlos, num surto de loucura (apesar de ter dado indícios de atração pela adolescente), pede Jessica em casamento. Parece brincadeira, mas o pedido é sério (disfarçado de brincadeira), ele termina constrangido e desconversa a proposta.

Val e Jessica discutem e a filha afirma não suportar ver a mãe ser tratada como alguém de “segunda classe”. Percebe-se aqui a subversão da filha diante da relação social em questão. Barbara diz ter visto um rato na piscina, manda desfazer a piscina e diz a Val para deixar Jéssica da porta da cozinha pra lá. Seria Jéssica, a adolescente pobre, o rato? Este é o lugar do pobre para a elite: pra lá da porta da cozinha?

Jéssica resolve ir embora da casa, faz a prova do vestibular e vai muito bem. Passa para a segunda fase do exame, ao contrário de Fabinho que não tem o mesmo sucesso. A pobre passou, o rico não. Barbara parabeniza Val pela filha com um tom de inveja na voz. Fabinho aceita os carinho de Val e nega os da outra mãe, que é, na prática, apenas biológica. Péssimo dia pra família tradicional branca de classe média-alta brasileira, não?

No entanto, me incomodou um pouco o fato de Jéssica ser excessivamente folgada às vezes e, embora isso seja provavelmente proposital, o relacionamento de José Carlos com a família é quase inexistente, apesar de todos viverem com o dinheiro da herança do pai dele.

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Mais ao final do longa, talvez o momento de epifania da trama, Val entra na piscina, simbolizando o pobre que não se cala. Ela termina aprendendo com a filha, pedindo demissão e se livrando da condição inferiorizada pregada pelo discurso dominante. Arruma uma casa para ela, a filha e o neto que tinha ficado no nordeste e Jéssica escondia da mãe. Val traz o jogo de xícaras que tinha dado à patroa e o distribui novamente na bandeja. Agora a metáfora não segrega mais. É preto no branco e branco no preto. Tudo misturado, sem distinção. Como a própria Val disse, igual à filha.

“Que Horas Ela Volta?” promove reflexão em quem lhe assiste sobre a realidade em que vivemos. Demonstra que pobre não deve estar abaixo do rico. Que a empregada (e seus eufemismos, como “ajudante”) também não estão. Que pobre não nasceu pra ser pisado. Enfim, demonstra que pobre não serve apenas pra ficar pra lá da porta da cozinha!

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