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Malala – A menina mais corajosa do mundo | Resenha

27 01

2016

Titulo original: Malala: A menina mais corajosa do mundo

Autora: Viviana Mazza

Ano: 2013

Páginas: 190

ISBN: 978-85-220-1574-0

Editora: Agir

Nota: nota 5 MIXSEA

Seu nome é Malala Yousafzai ela é paquistanêsa, seu pai lhe deu o nome de um guerreira: Malalai de Maiwand, que era filha de um pastor, e quando estava prestes a se casar, os ingleses invadiram o Afeganistão, o pai e o noivo de Malalai se alistaram, e ela os acompanhou para cuidar dos feridos e levar água e armas aos combatentes. Quando o porta-bandeiras foi mortos, Malalai correu para o campo de batalha, tirou i véu que cobria seus cabelos e fez uma bandeira, ela foi atingida e morreu, mas graças a seu gesto, o povo venceu a batalha. Enquanto balançava seu véu, cantava:

“Com uma gota do sangue de meu namorado

Derramado para defender a pátria mãe

Desenharei um pontinho vermelho sobre a testa

E será tão belo

Que fará inveja às rosas do jardim”

Mala MIXSEA.COM.BR

Malala com 11 anos participou de um documentário falando sobre como era sua vida enquanto vivia em um vila que estava em guerra, ela desabafa sobre o fechamento das escolas e sobre o fato de mulheres terem que usar burca, não poder estudar ou simplesmente ser atacada com ácido no rosto. Por causa disso ela fica famosa e começa a ser convidada para dar entrevistas e segue seu sonho de querer participar da política no seu país para poder dar direitos iguais as mulheres.Em um dia no ano de 2012 quando estava voltando para casa da escola, Malala é baleada por desrespeitar os soldados, ela acorda em território britânico, volta a estudar e sua história segue até hoje, é a mulher mais jovem a ser indicada ao prêmio nobel da paz.

O livro é muito bom e curtinho, da pra ler em uma tarde tranquilamente, tem ilustrações e a história em si é muito boa. Da para entender muitas coisas que geralmente são mal explicadas sobre o Paquistão e até dos grupos que estão fazendo terrorismo.

“Quando o mundo inteiro está em silêncio, até mesmo uma só voz se torna poderosa.” – Malala Yousafzai

Aprendendo em seis | Resenha

20 01

2016

Titulo original: Aprendendo em seis

Autor: Marcela Campbell

Ano: 2014

Páginas: 417

ISBN: 978-85-8013-323-3

Editora: Schoba

Nota: nota 5 MIXSEA

 

Quando um livro se torna uma descoberta tudo fica melhor. Eu sempre gostei de ler livros diferentes, e quando surgiu a oportunidade de ler Aprendendo em seis não pensei duas vezes, e hoje enquanto escrevo esse texto pra vocês eu estou com um sorriso no rosto e meu coração acelera de lembrar dos sentimentos que me vem a tona quando penso nesse livro extraordinário.

Começar um texto já falando o quão maravilhoso esse livro foi pra mim talvez não seja certo, mas a Marcela Campbell merece!

“A verdade é que tudo fica mais fácil quando você sabe o que quer e se impõe. As pessoas lhe respeitam bem mais quando isso acontece” (p. 274)

Foto 20-01-16 11 47 23 (1)

Imagine que de repente tudo em sua vida muda, você perde a sua melhor amiga pra um problema que não é fácil de aceitar, foi exatamente isso que aconteceu com Sadie. Sua melhor e única amiga a deixa e tudo que resta na vida da garota são duvidas, seu pai decide mudá-la de colégio para que ela possa recomeçar a vida em um lugar onde ninguém a reconheça como antes, já que não gostava nada de sua “reputação”.

Em sua nova escola, como em todas as outras, existem os grupinhos separados: os nerds, os populares, os ”normais” e os calados. Claro que nenhum desses grupos conversam um com o outro, apenas entre si. Entretanto o acaso dá um jeito nisso, por motivos diversos 6 garotos da mesma sala, incluindo Sadie a novata estranha, vão parar em uma detenção durante 6 semanas, claro que isso não poderia dar certo por que os que agora estão juntos na detenção não se suportam. No final, tudo o que eles descobrem ali são que os rótulos que lhes são dados não definem quem são e que juntos podem muito mais, no fim detenção que tinha tudo para ser um castigo acaba sendo o refúgio mais seguro que os seis já encontraram.

“O ser humano se acha o dono do mundo, o dono do tempo, o dono da vida, o dono do sempre e do nunca. Mas não somos donos de porra nenhuma” (p. 293)

Aprendendo em seis MIXSEA.COM.BR

Aprendendo em seis é muito mais que só um livro sobre rótulos e bulling, é um livro que vai te fazer pensar no que existe por trás da máscara de todos, por trás do sorriso. É o livro que o mundo precisava ler, não para ver além do outro, mas sim para ver o outro.

Já tem algum tempo que terminei minha leitura, mas ainda não consigo parar de pensar na mensagem que tem por trás deste livro e a saudade que eu tenho de Sadie, Artur, Isabela, Noah, Lílian e Lucas aumenta a cada dia que passa, com toda certeza esse vai ser um livro que levarei comigo sempre.

Parabéns Marcela Campbell, o Brasil se orgulha de ter escritores como você!!

A evolução de Calpúrnia Tate | Resenha

04 01

2016

 

Titulo original: The evolution of Calpurnia Tate

Autor: Jaqueline Kelly

Tradução: Elisa Nazarian

Ano: 2014

Páginas: 382

ISBN: 978-85-67028-41-5

Editora: Única

Nota: Nota 3 MIXSEA

 

A evolução de Calpúrnia Tate é um livro que não tem só aparência, tem uma história agradável de se ler embora não fique grudado no livro ansioso pelo que acontecerá depois. É uma leitura divertida e interessante com vários fatos biológicos e científicos.

A história se passa em 1889, onde as mulheres tem as matérias de costura, caligrafia, postura e música na escola enquanto os homens tinham as matérias normais e podiam ir para a faculdade. Calpúrnia Virgínia Tate mais conhecida como Callie Vee e com 11 anos era a única menina em 6 irmãos, os mais novos Travis, Sul Ross e Jim Bowie, e dos mais velhos Harry, Sam Houston e Lamar. Callie Vee nunca gostou das matérias ensinadas na escola e sempre teve um olhar perceptivo para tudo, sempre observava a natureza e o que acontecia em seu meio, seu avô (Walter Tate) era um biólogo, então Callie Vee começa a passar mais tempo ao seu lado.

“É impressionante o que se pode ver, apenas ficando sentado em silêncio e observando.”

a evolucao de carpunia tate MIXSEA.COM.BR

1889 é a época de quando o livro “A origem das espécies” do Darwin estava no centro de discussões entre igrejas e cientistas que tinham achado registros fósseis; em uma de suas primeiras relações com seu avô, Callie Vee pega o livro emprestado e começa a ler, ela passa a ir no lago com seu avô para analisar plantas e animais. Sua mãe não gosta nada de sua nova rotina e a obriga a passar mais tempo tocando piano, e aprendendo a cozinhar e bordar, e como Callie Vee é muito nova ela tem que obedecer e fazer tudo o que sua mãe pedir, é claro que ela não gostou nem um pouco, mas mesmo assim o fez.

Para concluir gostaria de falar que por mais que tenha biologia envolvida e a rotina da vida em 1889, o livro é muito bom, eu diria “uma gracinha”, porque não é um livro que te impressiona, é um livro onde a história se torna interessante e você lê sem pressa.

“A natureza… não se preocupa nem um pouco com aparências, a não ser que possam ser úteis a qualquer ser vivo.”

Os 150 anos de Alice no País das Maravilhas e seus mistérios ainda não revelados

24 12

2015

Alice fez 150 anos neste ano (2015), mas a sua história atemporal e fascinante continua um clássico para leitores de todas as idades até hoje. A garotinha que chega ao País das Maravilhas alcançou um público muito maior do que as crianças do século 19, e isso não pouca coisa, afinal, são 150 anos de história, de gerações de admiradores.

O diferencial de “Alice no País das Maravilhas” na época em que foi lançada foi o foco da própria história. Antes, as histórias eram focadas em mostrar a educação moral às crianças, eram para ensinar a boa conduta aos jovens. Lewis Carroll mudou tudo isso quando criou uma história para entretenimento e para incentivar a imaginação.

Na história de Carroll, Alice não confia nos adultos, acha eles ilógicos, ela vive em mundo muito confusos e faz várias descobertas sobre ela mesma; dá conselhos de boas maneiras mas também reprime os habitantes do País das Maravilhas. Por essas particularidades, “Alice no País das Maravilhas é considerada uma virada na literatura infantil, ela mostra uma revisão das maneiras com que adultos e crianças se relacionavam, e consequentemente eram retratados na literatura.

O sucesso de Alice através do mundo pode estar relacionado à essência britânica do livro: no País das Maravilhas temos uma rainha, festas e chás, empregadas domésticas e jogos de croquê. Isso tudo nos dá uma visão nostálgica de uma sociedade vitoriana idealizada, e são os mesmos elementos que tornaram Harry Potter tão conhecido também, já na atualidade.

E como qualquer história de sucesso, existem várias teorias obscuras sobre a menina Alice e o escritor Lewis Carroll, mas que não fazem sentido (e não importam) para a literatura em sí. Algumas dessas teorias diz que Alice foi estuprada, outra diz que Alice era viciada em drogas e por isso imaginou tantas coisas, inclusive porque aparece a lagarta fumante na história, outra diz que Carroll era um pedófilo e construiu a história para conseguir a menina na vida real. O que importa, é que nada disso importa (e nenhuma dessas histórias conseguiu embasamento suficiente para serem verdadeiras- e nem vão conseguir), já que nada diminuirá a grandeza deste grande clássico.

Qualquer pessoas que leia “Alice no País das Maravilhas” perceberá que é um texto aberto, em que podemos ter vários significados, e preferimos aceitar aquele que está voltado para a nossa perspectiva. É por isso também que a história sobrevive tão forte até hoje, por essa capacidade de ser versátil, de podermos ver diferentes significados em diferentes contextos.

Lembrando que, Alice foi escrita por um matemático. Carroll adoraria saber que seu livro continua um enigma. Ao longo deste 150 anos, tivemos várias traduções, adaptações e versões desa história, e com certeza teremos muito mais por vir desta história que nos leva a lugares maravilhosos.

Adaptação de “Os Miseráveis” por Walcyr Carrasco | Resenha

22 12

2015

Vivemos sempre nos limites. Limite do cansaço, stress, tempo, arrependimento. Por isso, faço questão de apresentar-lhes Jean Valjean, que também viveu sempre no limite. Limite da fome, medo, miséria, justiça, esperança, compaixão, e paixão. Os limites, não são para ser comparados, e sim testados, então não veja os seus como maiores ou menores do que o do nosso personagem, e teste comigo os limites da adaptação da história deste homem que é boa, nível: fora dos limites.

os miseraveis MIXSEA

Titulo: Os Miseráveis

Autor: Victor Hugo

Tradução e Adaptação: Walcyr Carrasco

Ano: 2012

Páginas: 214

ISBN: 978-85-16-07973-4

Editora: Moderna

Nota: nota 5 MIXSEA

 

Nas primeiras páginas do livro, temos o prefácio, o qual foi muito bem produzido por Marisa Lajolo, que faz uma abordagem histórica da obra original, e conta um pouco sobre a adaptação. Em seguida, Lajolo juntamente com Luciana Ribeiro apresentam uma linha do tempo com algumas curiosidades e principais acontecimentos em relação à obra original; e por último, antes da história se iniciar de fato, temos uma exposição de imagens dessas curiosidades e acontecimentos. Esses elementos extras que o livro traz são uma mina de enriquecimento dos saberes sobre o que está acontecendo, o que é uma adaptação e o que está sendo adaptado ali.

“Adotarei a única atitude possível a um homem de bem. Vou salvar o homem!” (pg. 99)

Quando a narrativa começa de fato, deparamo-nos com uma grande sensibilidade de Walcyr Carrasco para com a literatura. Ele consegue ligar os acontecimentos não só resumindo o texto integral e colocando notas de rodapés para explicar os acontecimentos suprimidos. Ele consegue manter a delicadeza da história de Victor Hugo, tentando ao máximo permanecer com a estrutura do original, inclusive na relação entre narrador e leitor, que é bem peculiar.

Os miseraveis walcyr carrasco MIXSEA

As questões que a história de Jean Valjean trazem, apesar de não serem leves, são também um ponto a mais que pode incitar questões novas nas mentes dos jovens leitores; ou na sua, que me lê isso agora e que não fez o desmame ainda; tornando-os mais críticos. Afinal de contas, prisões arbitrárias, miséria, fome e julgamentos errôneos são coisas que temos em nosso dia a dia até hoje, infelizmente; lembrando que a história foi publicada em 1862; isso com certeza nos diz muito sobre a sociedade em que vivemos.

O alto luxo da França no século XIX contrasta com a pobreza extrema de uma população que luta para sobreviver e não está nem um pouco satisfeita com a desigualdade social (e quem está?). Esse é o contexto histórico em que se passa a trama, mas poderia estar nos jornais de hoje, no Brasil. É isso que torna Os Miseráveis um clássico, a história atemporal, o retrato de um contexto histórico importante e que desperta o interesse da sociedade e o impacto expressivo que é capaz de deixar nela. E por que privar isso das crianças e adolescentes se eles vivem na mesma sociedade que a nossa? É por isso que temos as adaptações.

“A maior justiça é feita pela consciência!”  (pg. 90)

Além de tudo isso, a história também nos traz uma grande lição sobre amor e esperança. Um menino pobre, que foi criado pela irmã mais velha que já tinha muitos filhos, rouba um pão para matar a fome e é preso. Após 19 anos na prisão, este menino se torna homem, um bruto, pois o tempo o fez assim. É solto, mas apesar de ser liberado da galés, Jean Valjean nunca foi desprendido de seu passado, e mesmo tendo se tornado uma pessoa caridosa, e benfeitora, o que ele, e a sociedade não podiam esquecer, é que era um ladrão, um criminoso. A história deste homem é feita de uma esperança sem tamanho, mesmo quando tudo ia mal, Jean Valjean sabia que se fugisse e continuasse sendo condizente com o que acredita, ele estaria bem, e seguro.

Muita gente acredita que as pessoas não são capazes de mudar, mas Jean Valjean é um exemplo de que isso é possível. Podemos ver o que aquele homem bruto se tornou, ele experimentou uma forma de amor diferente de tudo o que já tivera visto. Depois que o bispo fez um ato de bondade com ele, e mudou o seu modo de ver as coisas, ele multiplicou o ato de bondade todos os dias de sua vida, até o fim. É incrível ver como o amor dá um sentido em nossas vidas, Jean Valjean teve um novo sentido de vida ao conhecer o bispo, e também ao conhecer Cosette, a qual criou como sua filha. A capacidade de amar o tornou mais completo, depois que ele soube como receber e oferecer o amor que tinha aos outros. O amor torna o mundo melhor. E porque privar essas questões das crianças e adolescentes se eles também as têm? É por isso que temos as adaptações. E esta é um bom exemplo de que não são menos literatura por serem adaptações.

walcyr carrasco os miseraveis  MIXSEA

Para finalizar, gostaria de parabenizar a Editora Moderna pela iniciativa de adaptação de clássicos, já que “Os Miseráveis” que os apresentei, faz parte de uma série chamada “clássicos universais”. Nesta série a editora adapta outros clássicos para o infantojuvenil como por exemplo Dom Quixote, A megera domada, A Dama das Camélias, e outros.

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