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Amélie Poulain e os pequenos prazeres da vida

06 11

2015

O fabuloso destino de Amélie Poulain é um filme francês cuja direção foi feita por Jean-Pierre Jeunet. É um filme antigo, o lançamento no Brasil aconteceu em 2002, mas, ainda hoje, é bastante assistido e aclamado.Imagem de amelie, movie, and amelie poulain

Ele conta a história de Amélie, uma garota que cresceu isolada das outras crianças devido aos pais acharem que ela tinha algum problema no coração. Foi educada em casa pela mãe, que perdeu quando ainda era nova. Devido aos acontecimentos da sua infância, Amélie cresceu e se tornou uma adulta com uma visão moldada e deturbada dos outros a sua volta. Ela saiu de casa e passou a morar sozinha em Paris. Passou a viver uma vida acomodada e com uma rotina monótona. Até que um dia, encontrou uma caixinha de criança escondida em seu apartamento. Uma caixinha que um dia já pertencera a um menino.

Seu momento de epifania foi esse, de encontrar a caixinha, o que despertou em Amélie uma vontade imensa de devolvê-la ao dono. Uma vontade de se doar, e ela dedicou, então, sua vida em cumprir esse objetivo, até quando o realizou e viu como o dono da caixinha se emocionou em recebê-la.  A visão que Amélie tinha dos outros foi remodelada naquele momento. Ela, que sempre buscara sentir os pequenos prazeres da vida, descobriu o melhor e maior de todos: o prazer de ajudar o outro, de fazer a vida do outro melhor.

O filme se desenrola com Amélie ajudando, de forma anonima (o que mostra que ela não estava fazendo o que fazia para ser reconhecida, e sim, para se sentir bem), aqueles que a rodeavam. Desde juntar um casal à melhorar a vida de um garoto maltratado e influenciar o pai a sair de casa para viajar – o que ele não fez desde que a mãe morreu. Amélie dedicou sua vida aos outros, buscou o sentido da vida.

Durante essa busca, no entanto, ela deixou de lado algo que também importava. Ela esqueceu de se ajudar, de si mesma. Na procura da satisfação em ajudar o próximo, Amélie se esqueceu. Até que esbarrou em alguém, alguém que viria a evitar encontrar por muito tempo. Alguém que, talvez, pudesse ser o amor da sua vida.

O fato de Amélie relutar tanto em encontrar com o homem da máquina de fotos demonstra e materializa toda a sua personalidade moldada desde a infância. Há uma fala no filme, em que o “Glass man” diz: you mean she would rather imagine herself relating to an absent person than build relationships with those around her? Ou seja, você quer dizer que ela preferiria se imaginar se relacionando com uma pessoa ausente do que construir relacionamentos com outros ao redor dela? A resposta para essa pergunta é sim. Até que ela recebe “um empurrãozinho”, ela prefere não se relacionar com os outros.

Imagem de amelie and quoteImagem de amelie, lonely, and amelie poulain

Em suma, Amélie Poulain descobre os menores prazeres da vida. Ela consegue viver solidariamente, mas também encontrar alguém para si e para preencher um vazio interno. “O fabuloso destino de Amélie Poulain” é um filme melancólico, mas doce e feliz na mensagem que traz. É um daqueles filmes, que mesmo com mais de 10 anos de existência e, mesmo já sendo visto repetidamente, faz com que o público se derreta ao mirar a tela e ouvir a trilha sonora (fantástica) tão marcante.

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So, my little Amélie, you don’t have bones of glass. You can take life’s knocks. If you let this chance pass, eventually, your heart will become as dry and brittle as my skeleton. So, go get him, for Pete’s sake!

 

Obs.: A quem se interessar, ouça a trilha sonora do filme completa aqui:

Já espalhou a luz hoje?

28 10

2015

”  O bem que você faz, inevitavelmente, retorna pra você. É que ele tem esse poder meio bumerangue. O poder que faz com que sempre volte para o lugar de onde partiu. Pode demorar, mas sempre volta. As pessoas costumam confundir caridade e solidariedade. A caridade é um ato específico, um momento definido, uma atitude de cima para baixo. Já a solidariedade é um ato contínuo, um modo de vida. Ajudar alguém não precisa necessariamente estar ligado a doar um bem material. As pessoas precisam de muito mais do que comida e dinheiro.

MIXSEA

Ninguém é tão pobre que não tenha nada a oferecer. Ninguém é tão rico que não tenha mais o que receber. Você pode doar um sorriso, um abraço, um aperto de mão. Você pode doar 10 minutos do seu dia para ouvir alguém, para fazer com que esse alguém se sinta importante. Às vezes, ficamos tristes com as notícias do jornal, com a miséria, as guerras, as catástrofes, as doenças e as injustiças espalhadas pelo mundo. É claro que tudo isso mexe com você. E te faz sentir impotente por não poder fazer nada por essas pessoas, mas a bem da verdade é que tem gente muito mais próxima a você precisando de ajuda. A sua mãe pode estar se sentindo sozinha logo ali, no quarto ao lado. Seu pai pode estar precisando ouvir um: “obrigado, você é importante pra mim”.

Aquele amigo pode estar precisando do seu ombro. A senhora que mora na casa ao lado pode estar precisando de alguém que tenha pernas fortes o suficiente para passear com o seu cachorro. É tão simples. É tão valioso. Fazer o bem não precisa ser algo distante. Não precisa ser algo complicado. Não precisa mesmo! Seja solidário e gentil. Ao dizer bom dia. Ao segurar a porta do elevador. Ao cruzar com um indivíduo qualquer na rua. Sabe, por mais que uma pessoa seja um tremendo desconhecido para você, ela significa tudo na vida de outro alguém. Trate-a com o respeito que ela merece. O mundo precisa de menos críticos e mais bons exemplos. Menos egoísmo e mais solidariedade. Menos maldade e mais abraços. Menos mau humor e mais gentileza. Seja o início da mudança. Espalhe a luz.”

                                                                                                                                   Autor: Rafa Magalhães / @precisavaescrever 

Barbie lança campanha, introduzindo os debates feministas, dizendo as meninas: voês podem ser o que quiserem

26 10

2015

Houve um tempo, longo tempo diga-se de passagem, que a boneca Barbie era frequentemente acusada de uma representação errônea das mulheres, mas de um tempo pra cá, a marca vem tentando mudar essa fama.

A empresa começou uma grande campanha para demonstrar que suas concepções estão em evolução, em mudanças, a Mattel quer que as mães, os pais e o resto do mundo consiga olhar a boneca que já tem uma tradição de 56 anos, com outros olhos. Para alavancar essa campanha, fizeram um comercial-pegadinha, bem divertido, em que crianças aparecem no papel de médica, executiva, professora e até técnica de futebol. Esta foi a maneira que a Barbie achou de mostrar que não existe idade para se fazer escolhas e que as mulheres podem escolher os papéis que desejam desempenhar na sociedade, que elas têm o poder para isso (e o direito).

O conceito da campanha “You can be anything” é um importante expoente, já que começa a conscientizar as mulheres desde crianças para o debate com que ela enfrentará na vida adulta. Nós sabemos que a Mattel tem produzido poucas mulheres com foco na diversidade, mas pelo menos abriram os olhos para as questões, e o mais importante, estão tentando abrir os olhos das crianças para essas questões, é claro que tem um jogo de marketing em tudo isso, mas a mensagem e o modo com que a propaganda foi filmada, ressalta do resto.

A criação é da BBDO San Francisco, com produção da Slim Pictures Inc. Veja a propaganda:

As questões das mulheres estão cada vez mais presentes na sociedade atual, mas a propaganda não foi (e provavelmente, não será) exibida no Brasil. Qual é o medo da marca em mostrar esse assunto ao nosso país? Cabe muito essa reflexão, já que temos um cunho muito patriarcal e tradicional ainda, infelizmente.

Mas isso não significa que os debates não aconteçam, neste final de semana que aconteceu o ENEM, por exemplo, tivemos como tema da redação a violência contra as mulheres. Isso proporcionou que aproximadamente 8.000.000 (oito milhões) de jovens e adultos pensassem, questionassem e interviessem, contribuindo com os debates femininos, mostrando que existem coisas que não cabem mais (nunca coube) em uma sociedade, a violência contra a mulher, é claro, é uma delas. Foi uma bela iniciativa dos formuladores da prova!

Este não é um post patrocinado pela Barbie, mas realmente esperamos que a marca esteja mudando o seu conceito, e não só para vender mais, mas sim para chamar cada vez mais crianças, mulheres, a se conscientizarem sobre os debates que as circundam.

Ainda existe infância? O que é ser criança em 4 filmes que abordam o tema

16 10

2015

Há algum tempo em uma roda de amigos, uma amiga levantou a seguinte questão: “infância não existe. Se pararmos para pensar em todas as responsabilidades que as crianças têm, veremos que infância não exite. Afinal, o que é ser criança?” Isso gerou um debate maravilhoso e ela, então, nos passou o seguinte documentário sobre o tema:

Todo esse assunto me fez refletir, especialmente nessa semana em que é comemorado o “Dia das crianças”. Enquanto pessoa e professora eu sou uma admiradora dos pequenos e dos seus comportamentos. Vejo nas crianças uma fonte de imaginação, criatividade e, acima de tudo, potencialidade. Acho fascinante observar como cada um com tão poucos anos de experiências possuem concepções e opiniões tão fortes sobre diversos assuntos.

Ao ler um artigo sobre isso (aqui) obtive alguns conceitos e ideias sobre a infância. Um deles foi o conceito de Freud de que “todo indivíduo é resultado da síntese de três fatores o id (nosso inconsciente) o ego (nossa consciência) e o superego (valores culturais). A formação será vivida pela criança segundo 2 mecanismos a projeção de seu mundo interior no mundo concreto, exterior; e a introjeção das experiências com fatos do mundo circundante sobre sua interioridade, isto é, sua mente.” (FONTE)

Esse conceito explicita a ideia de que as crianças são um espelho das suas relações com os outros. Elas interiorizam e projetam o que entendem e absorvem da convivências com os pais, os colegas de sala, os professores. Isso não significa, no entanto, que elas não podem ser mutáveis. Muito pelo contrário, é por causa de todas as suas experiências que elas se moldam no adulto do futuro.

Vida adulta. Esse era o ponto que queria chegar logo que comecei a escrever esse texto. A minha amiga disse que “infância não existe”. Mas será mesmo? Será que a nossa “infância” inteira foi uma preparação para a vida adulta? Afinal, o que é infância? O que é ser criança? Está aquém de mim as respostas para tais perguntas, principalmente porque não creio que tenho embasamento para falar de tal assunto. Mas, não fiz esse post para terminar aqui. Proponho uma reflexão. E quer algo melhor que um bom filme para refletir? Por isso fiz uma lista com quatro filmes que abordam a infância de um modo bastante adulto e complexo, sem perder a essência do que é infantil, mas também com “um pézinho” na vida adulta da qual fazemos parte. Confiram:

Número 1: A Guerra dos Botões (2011) de Yann Samuell –

Um filme ambientado na França de 1960 que conta a história de uma rivalidade entre grupos de colégios de aldeias diferentes. É um filme leve, daqueles que te deixam com um sentimento bom e lágrimas nos olhos no final, mas te faz refletir, especialmente com relação ao personagem Lebrac: uma criança encarregada de tomar conta da família (mãe e irmã), ser chefe da “gangue” e ter um bom desempenho escolar. Sem mais delongas, é um filme de fácil entendimento que aborda a passagem da infância para a vida adulta e os desafios e possibilidades de crescimento que a vida reserva para todos.

Untitled

Resultados da Pesquisa de imagens do Google para http://img.vejasp.abril.com.br/t/2/t540x360/a-guerra-dos-botoes-2.jpg

Número 2: Tomboy de Céline Sciamma –

Filme (também) francês tem como personagem principal Laure (ou Mikael), uma garota que se identifica com o gênero masculino. A inclusão de Tomboy nessa lista é simples pela questão do paradoxo vida adulta/vida infantil (embora não seja o foco do filme). Durante todo o filme há cenas de Laure/Mikael se divertindo, seja com a irmã (personagem fantástica, btw), seja com a vizinhança, mas, principalmente, cenas de amadurecimento e reflexões as quais ela (ou ele (o uso de pronomes é bastante complicado aqui)) é submetida (o). O tema abordado foi muito bem construído no roteiro do filme bastante sensível e duro ao mesmo tempo.

Mikael. My name is Mikael.

TOMBOY

Número 3: Moonrise Kingdom de Wes Anderson –

De um dos meus diretores preferidos, Moonrise Kingdom é, de forma bastante resumida, a história de duas crianças que decidem fugir de suas respectivas vidas. Com um conteúdo menos “pesado” do que o anterior, esse filme retrata de maneira cômica e brilhante as insatisfações que as pessoas, no geral, tem com a vida. O foco do filme é dado aos personagens Sam e Suzy e suas concepções sobre amor, responsabilidades, família, amigos, e outros. É um filme bastante envolvente e aclamado.

Moonrise 💜💜

movie quotes and scenes

Número 4: Divertida mente de Pete Docter –

Essa animação pode ser classificada como infantil para muitos, mas carrega uma complexidade tão grande que merce estar nessa lista. Produzido pela Pixar, Divertida mente é a história sobre como funciona o cérebro da protagonista Riley a partir da interação das cinco emoções principais: alegria, raiva, tristeza, nojo e medo (embora, pelo filme é possível ver como outras áreas do cérebro são importantes). É um filme sobre crescimento, em todos os sentidos, e amadurecimento da fase infantil para a adolescência. É divertido e interativo (seguindo aquela fórmula de filmes da Pixar) mas ao mesmo tempo psicologicamente “educativo”. Vale a pena assistir e, se não se convencer, leia esse post intitulado: “A psicologia por tráz de Divertida mente“.

Untitled

Obs.: para fazer esse post me baseei em algumas críticas e alguns textos da internet. Leiam também clicando aqui, aqui e aqui. Recomendo. <3

Projeto Aqueenda mostra a arte por trás das Drag Queens

15 10

2015

“Quando fotografo drag queens, vejo muito mais que purpurina, glitter ou plumas. Vejo poesia! Vejo arte! Na maneira de se maquiar, no olhar lançado a cada um na plateia, no figurino, na destreza em fazer o público esquecer que por trás daquela imagem feminina, existe um homem de fato”, disse a fotógrafa Jal Vieira

Drag Queen MIXSEA

O projeto Aqueenda veio então para mostrar que drag queens são mais do que carão, salto alto, purpurina e boa maquiagem. Quem idealizou tudo foi a fotógrafa e designer de moda Jal Vieira, artista brasileira, que criou um perfil no Instagram para divulgar as fotos, que era um sonho já que desde adolescente era uma drag lover e queria fazer uma trabalho que tivesse alguma relação a esse universo tão maravilhoso.

O sonho se fez realidade em 2014, que foi quando ela iniciou a registrar o outro lado das perfomers. Nomes como Willam, Sharon Needles, Márcia Pantera, Rita von Hunty, Malonna, Alexia Twister, Hidra Von Carter, Deendjers e Alyssa Edwards já estiveram diante suas lentes. O rumo do projeto agora é virar uma exposição, um documentário e um livro.

Stéfany Di Bourbom & Márcia Pantera

Em Abril, Jal Vieira deu uma entrevista ao site Papel Pop que vamos replicar para vocês aqui:

Como surgiu a ideia do projeto Aqueenda?
Há cerca de 6 meses, conversando com uma antiga parceira, decidimos fazer um trabalho que desmistificasse a idéia distorcida que algumas pessoas acabam formando a respeito da arte drag, e que isso resultasse em um livro. Algumas coisas mudaram durante o percurso, como o rompimento da parceria, e a idéia de expandir ainda mais a linguagem. Achava importante não só fotografar, me parecia necessário registrar por meio de uma linguagem audiovisual, mais precisamente, um documentário. As filmagens ainda estão sendo planejadas mas as fotos já estão sendo produzidas.

As Deendjers

O que você pretende mostrar com esse trabalho?
O que o projeto busca mostrar desde o seu início são os grandes seres humanos que dão vida à essas drag queens. E esclarecer às pessoas que esses homens não querem ser mulheres. Aliás, estão muito bem com seu corpo masculino. Esses homens querem mostrar que mais do que uma arte que exige trabalho árduo para estar todas às noites no palco, encantando o nosso olhar com beleza, inteligência e perseverança que possuem, buscam ali não somente aplausos. Eles lutam todos os dias para serem respeitados e terem a sua arte reconhecida.

Yasmin Carraroh

E como está sendo o desenvolvimento do projeto?
Tenho registrado em todos os finais de semana o universo drag queen. Mas não somente o que todos conhecem: em baladas. Acompanho esses artistas em seu dia a dia, em casa, na casa de amigos, em ambientes que não estamos acostumados a vê-los. Além disso tenho tido a oportunidade de conhecer, todos os dias, os criadores dessas personagens. Homens que possuem trabalhos como o de qualquer outra pessoa. Que têm contas e deveres a cumprir. Que pegam metrô, que andam a pé, que têm problemas, além de grandes alegrias.

Alyssa Edwards

O que mais chamou sua atenção durante as transformações?
Enquanto estão se maquiando, a maioria delas ainda está fora do personagem. Quero dizer, enquanto essência, mesmo. À medida que esse processo de transformação vai avançando, se começa a perceber como a personagem vai chegando e tomando espaço naquele corpo. Quando o último item, a peruca, é colocado, temos a sensação de que ali se atravessou um portal. A partir desse momento a voz muda; os gestos ficam mais femininos; o olhar reluz mais; a postura se torna mais cuidadosa e, quase não é possível notar que, há minutos atrás, estávamos conversando com um rapaz.

Ikaro Kadoshi

E durante as performances? Algum dos artistas transforma radicalmente sua personalidade?
Quase nunca percebo a presença do criador enquanto a drag queen está ali presente. Mas existe, sim, uma drag queen que me chocou absurdamente na completa diferença de personalidade entre o indivíduo masculino e sua drag: Danny Cowlt. Conheci a Danny ainda nos palcos. Não tinha nenhum contato pessoal com ela, até então. A figura dessa drag é extremamente avassaladora. É impossível desgrudar o olhar dela enquanto está no palco ou mesmo quando passa por você. Figura marcante, forte, de olhar impactante e maquiagem que quase beira a intimidação de tão sombria e misteriosa. Sempre me pareceu que, o homem por trás daquela personagem fosse tão assustador quanto.

Quando enfim conheci o Flávio, criador da Danny, não conseguia acreditar na docilidade daquela pessoa. Fui cumprimentá-lo com um pouco de receio de estar invadindo algum espaço, então me mantive um pouco distante. O Flávio, me vendo mais quieta, se aproximou e me disse: “Vem aqui! Deixa eu te um beijo”. Depois disso, imagine a minha reação. Completo encantamento e respeito. O que mais me encanta nesses artistas é a completa generosidade. Coisa rara de se ver hoje em dia.

Festa Priscilla

Há alguma história interessante que a marcou ao longo do projeto?
Quando o assunto é drag queen, há sempre histórias incríveis! Existe uma que me marcou muito. Prefiro não comentar com quem foi pelo fato da história ser mais delicada e pessoal. Mas, uma das drag queens que entrevistei contou que, em uma fase de crise, se envolveu com drogas. Acabou se viciando e em um dia de uma quase overdose sentiu que estava prestes a morrer. E, naquele momento, além do pensamento em si e na sua família, o que a fez levantar e se reerguer foi pensar que sua personagem ainda tinha muita história pela frente e que não poderia acabar com isso por conta de um vício. Então, largou as drogas. A frase final dela me marcou de uma maneira quase inexplicável. Ela disse: “O que me salvou foi a minha personagem. Não fosse por ela, provavelmente, eu não estaria mais aqui”.

Isso me fez pensar que, a drag queen não é apenas uma personagem que esses homens incorporam à noite. A drag queen é também o que aquele individuo é e respira. O que o ajuda a se movimentar todos os dias.

Hidra von Carter

Você pretende fazer alguma exposição ou lançar um livro com as fotos?
Sim. A exposição é uma idéia efetiva do projeto. Provavelmente, se antecipando ao documentário. Mas acredito que esse resultado venha a longo prazo, pois pretendo criar um acervo por, no mínimo, um ano acompanhando esses artistas. Mas a idéia de uma exposição fotográfica do projeto está, com toda certeza, nos meus planos. Além disso, penso, sim, em um livro. Porém, é muito provável que este seja fruto da exposição e do documentário.

Confira mais imagens:

Natasha Rasha

Márcia Pantera & Ballet Blue Space

Drag 2 Queen MIXSEA

Lola

Sharon Needles

Alexia Twister

Willam

Para ver mais fotos do projeto e saber de mais informações, siga o @projetoaqueenda no Instagram e acesse o site www.projetoaqueenda.com

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