Cidades de Papel | Reflexão

21 08

2015

  Cidades de Papel é, em resumo bem simplório, a história de um garoto normal cuja vida é mudada pela chegada de sua nova vizinha: Margo Roth Spiegelman. Embora se pareça como qualquer outro filme adolescente americano, a adaptação da obra de John Green – tão bem adaptada para o cinema – é mais do que aparenta, deixa de ser mais um clichê. Ele desconstrói imagens e estereótipos, trabalha com a idealização do outro e a importância não só do autoconhecimento, mas também de compreender bem aqueles que o cercam.

  Quem viu o filme deve se lembrar da cena em que Q se encontra em uma banheira com a amiga de Margo, Lacey, e esta o pergunta sobre qual a primeira palavra que lhe vem a cabeça quando ele a olha. A resposta não é imediata, mas parece óbvia a qualquer um que estivesse no lugar de Q: bonita. No entanto, a desconstrução de tal estereótipo, ao decorrer do filme, tende a ressaltar um dos principais objetivos do drama: a ideia que temos do outro.

  A idealização de Q sobre Margo é só um exemplo dentre o quadro maior. Rumores sobre a garota são espalhados pela escola. A imagem de Margo Roth Spiegelman fora construída, com colaboração da mesma, inclusive. A imagem. Mas quem é a real Margo Roth Spiegelman? Esse é, talvez, o mistério que ela se tornou.  Nem a própria consegue a reposta a tal pergunta, e essa é a especial “sacada” da história.

  Ao fazer um paralelo com o tão aclamado filme de John Hughes, The Breakfast Club (O Clube dos Cinco), no qual cinco alunos ficam presos na escola em detenção, cada qual por seus motivos, e tem que escrever uma redação sobre eles mesmos, o quote:

“(…) acho que você está louco para nos fazer escrever um texto dizendo o que nós pensamos de nós mesmos. Você nos enxerga como você deseja nos enxergar… Em termos mais simples e com as definições mais convenientes. (…)”.

  Explica perfeitamente a ideia de “Paper Towns”. Margo é o que os outros querem ver nela, assim como os cinco de The Breakfast Club eram o que o diretor queria ver neles. Ela é uma ideia. Uma garota de papel. Do mesmo modo que todos os outros ao seu redor. E não somos todos, pessoas de papel? Os cinco integrandos do Breakfast Club não eram eles mesmos pessoas de papel? Apenas imagens criadas por outros, sem conhecer o seu verdadeiro “eu”?

paper towns MIXSEA

  “You have to get lost before you find yourself” (você precisa se perder para conseguir se encontrar) é uma frase dita pela garota a Q durante o filme. Ela teve de fugir, se perder, e não apenas fisicamente, em uma viagem, mas internamente, daquela Margo idealizada pelos outros. Ela se perdeu para se encontrar, para se redescobrir. Se ela conseguiu isso? Talvez sim.

  Desse modo, o filme (e o livro) passa a mensagem da autossuficiência, ao invés da idealização do outro. Ver uma pessoa como seu complemento ou solução dos seus problemas é errado. O outro é só uma pessoa. Os rumores que inventaram sobre Margo eram a representação da idealização dela não só por Q, mas por todos. A viagem feita por Q e seus amigos serviu para que eles se conhecessem melhor assim como são. Eles tiveram de sair de sua zona de conforto, se arriscar, “viver a vida adoidado”, mesmo que por pouco tempo, para se moldarem como as pessoas que viriam a ser.

  Embora seja só um filme, cidades de papel traz reflexões sobre a vida. Somos aquilo que queremos, que achamos correto ou somos apenas uma imagem refletida pela opinião alheia? Estamos seguindo um caminho escolhido por nós ou o que nos foi dado? A vida deveria ser mais que convenções sociais. Ela deveria ser vivida ao máximo. Mas como? Conheça-se a si mesmo e descubra.

 Fonte da imagem: http://www.weheartit.com

Life Is Strange Game Destaque em 2015 | Crítica

20 08

2015

life is strange episode 1 MIXSEA

 

Nome: Life Is Strange

Desenvolvedor: Dontnod Entertainment

Publicador: Square Enix

Nota: nota 5 MIXSEA

 

Life Is Strange é um game por episodio, onde o jogo se adapta a suas escolhas, nele você vive na pele de Max, uma estudante de Fotografia apaixonada pelo o que faz, é um adventure disponível para  para Windows, PlayStation 4, PlayStation 3, Xbox One e Xbox 360. No primeiro episodio Max descobre que pode voltar no tempo, e assim o jogo se segue. Anunciado em 2013, o jogo foi reunindo fãs e admiradores, e teve sua grande estreia em Janeiro de 2015.

Mas a grande surpresa com o seu lançamento foi que o numero de fãs continuava aumentando a cada dia, e as criticas positivas não paravam de chegar. Hoje o jogo se encontra no penúltimo episodio (4º), e conta com um acumulo enorme de criticas positivas, podendo chegar a ganhar o titulo de ”Jogo do Ano”.

O visual e a historia do jogo são incríveis, principalmente por ter uma pegada com um olhar artístico, porém não conta com gráficos de ultima geração, mas isso é o de menos pois a historia te prende, e os gráficos são a ultima coisa que se nota.

Eu amei esse jogo, e indico para todos que conheço pois com uma ideia simples se fez  grandioso, estou na torcida para ele receber o títulos de jogo do ano, e ficar ainda mais conhecido mundialmente.

O que é a torre do relógio? – “Por lugares incríveis” | Resenha

18 08

2015

Por Lugares Incríveis MIXSEA

 

Titulo: Por Lugares Incríveis

Autora: Jennifer Niven

Tradutora: Alessandra Esteche

Ano: 2015

Páginas: 336

ISBN: 8565765571

Editora: Seguinte

Nota: nota 4 MIXSEA

 

 

 

Oi pessoal, é meu primeiro post aqui no blog, espero que gostem!

Hoje eu escolhi falar para vocês sobre um livro que eu estou encantada, ele tem uma pegada mais séria, mas ao mesmo tempo ele te distrai e faz com que você se apaixone pelos personagens, e o mais importante, ele te leva a conhecer outra visão de um problema social que infelizmente ainda é um tabu na nossa sociedade.

O livro se chama ”Por lugares incríveis” da escritora Jennifer Niven, e é sobre dois jovens, o Theodore Finch e a Violet Markey. Finch é um garoto com vários problemas, em casa suas irmãs não se importam com ele, os seus pais acabaram de se separar e foi uma separação muito difícil e na escola ele é mais conhecido como Theodore Aberração, porém ele não deixa transparecer que isso o afeta. Do outro lado temos Violet, que estuda na mesma escola que Finch e tinha uma vida invejável, era popular, tinha uma família perfeita, sua irmã era a sua melhor amiga, mas tudo isso mudou de repente quando ela e sua irmã sofrem um acidente de carro e a irmã morre, Violet se sente culpada pela irmã ter morrido e não ela, não acha justo que ela seja feliz enquanto sua irmã esta morta, e por isso muda toda a sua vida.

“Nem sempre podemos enxergar o que os outros não querem que a gente veja. Principalmente quando se esforçam tanto para esconder.” (p. 295)

A historia começa com esses dois jovens se encontrando na torre do relógio do colégio onde eles estudam, ambos transtornados, e se encontram pela se encontram pela primeira vez, você imagina o porquê?

Não vou contar, para você descobrir vai ter que ir correndo ler!

“Quando andamos por aí, precisamos estar presentes de verdade, não enxergando através de lentes.” (p. 85)

por lugares incriveis MIXSEA

Depois de um conhecer o outro, Finch encontra em Violet alguém com quem finalmente pode ser ele mesmo, e a garota para de contar os dias e passa a vivê-los. O livro é ótimo, envolve o nascimento de um lindo romance e te leva a várias reflexões sobre o valor da sua própria vida. Ele esta disponível para compra  em várias livrarias espalhadas por todo o Brasil e também na versão digital para você baixar no seu celular, tablet ou computador.

“Conheço a vida bem o suficiente pra saber que não podemos acreditar que as coisas vão ser sempre iguais, não importa o quanto a gente queira. Não podemos impedir que as pessoas morram. Não podemos impedi-las de ir embora. Não podemos impedir nós mesmos de ir embora…” (p. 121)

Então essa foi a dica de hoje, espero que gostem do livro, se você já leu conte para gente nos comentários o que achou do livro, se ainda não leu, leia e depois vem aqui contar sua opinião. Beijinhos gente, até a próxima!

E se os objetos do nosso cotidiano resolvessem contar suas pequenas aventuras?

17 08

2015

E se alguns objetos que usamos no dia a dia tivessem vida? E se algumas partes do corpo humano falassem? Imagine o que os objetos do nosso cotidiano diriam e/ou fariam se pudessem falar ou agir… por exemplo, o que um termômetro diria sobre ser colocado dentro do nosso corpo? 

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Foi pensando nisso ilustrador Salim Zerrouki elaborou essas “Pequenas Aventuras” e nos proporcionou as respostas para essas perguntas super  importantes, ele partiu do ponto de vista da sociedade sobre alguns assuntos, e também refletiu um pouco sobre alguns ditados populares e superstições. Salim Zerrouki estudou na Fine Art School of Algiers, sua paixão o levou a perseguir uma carreira como diretor de arte em várias agências de publicidade antes de se estabelecer na Tunísia,em uma breve biografia do Zerrouki, ele se descreve como “uma criança grande perfeccionista apaixonada por imagens.” Confira:

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Série fotográfica sobre os “Almendrones”: taxis cubanos da década de 60

16 08

2015

Há uma polêmica no Brasil envolvendo o serviço Uber (uma espécie de motorista particular com preço semelhante ao dos táxis, mas com carros e serviços mais confortáveis) e os tradicionais táxis que acusam o “concorrente” de não pagar os devidos tributos. Num contexto diferente podemos ver Cuba: um país conhecido pelo visual retrô que o faz aparentar estar da década de 60 em virtude do histórico boicote econômico ao país. Com seus serviços de táxis não podia ser diferente.

Os chamados “almendrones”, embora em sua maioria ilegais e concorrentes dos táxis tradicionais (que são propriedade do governo), são muito comuns em Havana e representam como ninguém o visual do país com veículos produzidos em meados do século passado.

O boicote econômico e a falta de relação comercial com países como os EUA impediu a entrada de veículos novos à população e dificultou a restauração dos modelos antigos o que tornou viável o serviço dos “almendrones”. Todavia, como as relações entre os EUA e a ilha tem melhorado no governo Obama, não se sabe se o serviço dos antiguinhos será mantido por muito tempo.

Em visita ao país, o fotógrafo Meinicke capturou imagens desses automóveis e, numa relação antitética, os “amendrones” foram clicados por câmeras e lentes de última geração: o mais próximo da modernidade que esses carrinhos chegaram.

Vale ressaltar o valor histórico-cultural do país e dos “antigos táxis” que são mais um retrato da estética cubana.

E aí, que tal ir a Havana dar rolê de “almendrone”?

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