Como eu era antes de você |Critica

11 07

2016

Título: Como eu era antes de você


Direção:
 Thea Sharrock

Ano: 2016

Duração: 1 hora e 81 minutos

Nacionalidade: EUA

Gênero: Drama, Romance

Nota: nota 5 MIXSEA

 

Dia 16/06 estreiou nos cinemas brasileiros a adaptação do livro Como eu era antes de você da Jojo Moyes. Já comentamos dos livros da autora aqui no blog, mas vamos ao filme.

A história de Louisa Clark é muito simples, ela levava uma vida monótona em uma pequena cidade no interior da Inglaterra com a sua família, trabalhando em um café, sempre muito criativa com roupas que realmente mostram a sua personalidade, de repente ela percebe que sua vida de sempre vai precisar passar por uma grande mudança, o café que Lou trabalhava durante muitos anos fecha, e ela sai em busca de um novo emprego, após ter tentado varias opções ela encontra um que poderia ser o ideal, como cuidadora de um tetraplégico.

E ai que chega a parte que nos interessa dessa história, Lou começa a trabalhar e cuidar de Will, um jovem que sofre um acidente de moto, Will perdeu completamente a vontade de viver e alegria, do outro lado temos Lou, uma menina cheia de alegria e cores, e a luta dos opostos é sensacional.

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Com o desenrolar da trama percebemos o gelado coração do Will se amolecer e ser tomado pelas cores que vem de Lou, mas aqui temos um ponto negativo, se você leu o livro antes de ir ao cinema vai sentir falta da emoção transmitida pelos personagens com o desenrolar dos fatos, porém, se você não leu o livro, o filme é capaz de transmitir uma emoção que transborda nos olhos.

Não serei capaz de dar um grande spoiler sobre o final do filme, mas o fato é que ele traz uma grande lição de vida para todos os espectadores, nos chamando atenção para sempre pensar nos detalhes que a vida pode oferecer, e para aproveitar cada instante pois ele pode se tornar o ultimo.

 

”Você só vive uma vez. É sua obrigação aproveitar a vida da melhor forma possivel.”

 

A grande questão desse filme fica aberta para o espectador: ele teve ou não um final feliz?

”APENAS VIVA BEM. APENAS VIVA”

Trailer:

O surpreendente “Capitão América: Guerra Civil”| Crítica

30 04

2016

ATENÇÃO: O post a seguir não contém spoilers comprometedores, mas se não quiser ter conhecimento algum sobre o filme, NÃO LEIA.

 

Título: Capitão América: Guerra Civil

Direção: Anthony Russo, Joe Russo

Ano: 2016

Duração: 2horas e 28 minutos

Nacionalidade: EUA

Gênero: Ação

Nota: nota 5 MIXSEA

 

 

Dia 28 de Abril de 2016 estreou nos cinemas brasileiros um dos maiores e, talvez, melhores filmes de super heróis já visto. Produzido pela Marvel/Disney, Capitão América: Guerra Civil alcança expectativas ao adaptar um dos mais famosos arcos das HQs, na medida do possível, uma vez que vários personagens das HQs ou não pertencem ao MCU (Marvel Cinematic Universe) ou não haviam sido introduzidos nos filmes e não seria adequado os apresentar na trama, sem desenvolvê-los.

Os últimos acontecimentos globais protagonizados pelos heróis levaram políticos de vários países a acordarem um meio de controlar as ações dos vingadores, e de qualquer um que aja por conta própria como vigilante, super-herói, etc. Esse é o principal fator que leva os vingadores a se dividirem em primeiro lugar. Lutando por seus objetivos e pelo que acreditam Steve Rogers e Tony Stark iniciam a ruptura nos, até então, bem estruturados Vingadores.

Fonte: weheartit.com

Claro que o fator político não é o único a mover os heróis. Quando Bucky Barnes é apresentado como ameaça, Steve Rogers não mede esforços para ficar ao lado do ex-amigo. Assim, escolhas são feitas, amigos lutam contra amigos, revelações alteram para sempre (talvez) as relações entre Vingadores e o futuro do grupo termina incerto.

Apesar da história, que é desenvolvida de forma fantástica, com reviravoltas inesperadas, é importante destacar o aparecimento de dois personagens incríveis e do desenvolvimento de outros. O Homem-Aranha de Tom Holland traz uma versão do amigo da vizinhança até então nunca vista nos cinemas: o cabeça de teia, literalmente, adolescente. Com papel fundamental no filme, é de se parabenizar o MCU por ter trazido o personagem para o seu universo. A trama teria sido certamente mais vazia e menos barulhenta sem Peter Parker.

O segundo personagem é o Pantera Negra, extremamente esperado pelos fãs e tão bem interpretado por Chadwick Boseman, que trouxe a essência e a elegância do T’challa. Elegância pela coreografia de lutas feitas pelo Pantera, que trouxeram uma satisfação aos olhos de tão bem feitas, e sua atitude na cena final. Ademais, foi possível apreciar mais momentos em tela de personagens como Bucky Barnes e Sharon Carter, essenciais nas histórias do Capitão América, Wanda Maximoff e Visão, importantes protagonistas de vários momentos.

Por fim, Capitão América: Guerra Civil é bem sucedido em introduzir tantos personagens ao filme e não deixar um sem desenvolvimento. Claro que nem todos puderam ser tão bem explorados, mas todos obtiveram seus momentos e importância para a história. Tecnicamente excelente, com cenas de lutas de tirar o fôlego e efeitos sonoros incríveis, o filme abre a fase três do MCU, deixa incertezas sobre o futuro do grupo e dos personagens e um gostinho de quero mais.

O Regresso tem cenas simples com muito sentimento e é maravilhoso| Crítica

19 02

2016

Indicado ao Oscar em 12 categorias, O Regresso (direção de Alejandro Iñárritu) supera expectativas, transmite sentimentos em cenas simples e foge da leitura feita pela história do “homem branco bom” contra os “índios maus”.

 

Título: O Regresso (The Revenant)

Direção e Roteiro: Alejandro González Iñárritu

Ano: 2016

Duração: 2 horas e 36 minutos

Nacionalidade: EUA

Gênero: Faroeste, aventura

Nota: nota 5 MIXSEA

 

 

 

 

O filme datado em 1822 tem como protagonista Hugh Glass (Leonardo DiCaprio), cuja jornada rumo ao oeste não poderia ter sido mais árdua. Atacado por um urso e seriamente machucado, sendo deixado para trás por sua “equipe” de caça com ninguém menos que John Fitzgerald (Tom Hardy), que lhe rouba, quase literalmente, tudo o que lhe restava em vida. Glass sobrevive – não vive, sobrevive – em meio às imensas adversidade na busca de um propósito: vingança.

Imagem de river, snow, and blood

O enredo interessante e cativante da história não é, no entanto, o único motivo pelo qual a obra de Iñárritu é implausível. O aspecto visual do filme é fantástico, com uma fotografia incrível  e, pode se dizer, bela e métodos de filmagem, somados às interpretações (grande parte por DiCaprio), impecáveis na hora de transmitir o sentimento e a realidade da cena.  Como os closes no rosto de DiCaprio ou o ângulo da câmera de baixo para cima, de modo a mostrar a insignificância humana em meio a grandiosidade da natureza. Além disso, a trilha sonora acompanha e marca muito bem cada momento sem deixar a desejar.

À parte das questões técnicas, o filme faz uma reeleitura dos acontecimentos da conquista do oeste do século XIX. Somos acostumados a ver nos filmes, especialmente estadounidenses, inimigos ou antagonistas russos, chineses, terroristas, ou seja, o outro lado, normalmente negativo, dos Estados Unidos. Em O Regresso isso não acontece (não é tão incisivo). Na história dos Estados Unidos, a conquista para o oeste foi marcada por derramamento de sangue indígena. No entanto, sob a máscara do destino manifesto, de que os moradores brancos das 13 colônias eram destinados a libertar e civilizar o oeste, milhões de índios morreram e  várias culturas foram destruídas.

Imagem de leonardo dicaprio, movie, and the revenant

O Regresso

No filme, a equipe de Glass foi atacada, logo nas cenas iniciais, por uma tribo de índios (Arikaras) o que daria a entender que, mais uma vez, eles seriam os vilões da história. No entanto, com o desenvolvimento do longa, percebe-se uma complexidade maior do que isso, especialmente conforme o passado de Glass começa a ser revelado. Há dois momentos que demonstram o que está sendo escrito aqui. O primeiro é quando um índio (cuja tribo não me recordo) tem um diálogo com Glass e relata o seu ponto de vista da marcha para o oeste. O segundo é a cena final do filme (deixo a vocês descobrirem o porquê dessa). (Até o motivo pelo qual os Arikaras atacam os “homens brancos” é mais honroso do que o do Destino Manifesto).

Cabe a Fitzgerald, portanto, assumir o posto de vilão de O Regresso. No personagem (em em Glass, em partes, também), toda a ganância, crueldade e sujeira humana é materializada. E são essas características especificamente humanas o mais relatado. Em 2 horas e 36 minutos vê-se sangue, violência, frio, solidão, desespero e renascimento. Vê-se até que ponto o homem é capaz de sobreviver em busca de vingança e até que ponto o homem é covarde o bastante para não ajudar o próximo. Vê-se até que ponto o homem chega por causa de dinheiro e conforto e até que ponto ele age para proteger quem ama.

O Regresso é, em suma, uma obra prima, marcada pela volta à selvageria humana. Com cenas de “revirar o estômago”, atuações memoráveis, uma direção impecável e uma produção mais impecável ainda não espanta as 12 indicações ao Oscar 2016. Muito pelo contrário, chama-as para si.

Imagem de the revenant

Obs.: Vale a pena conferir algumas entrevistas dos envolvidos no filme antes de vê-lo. Isso garante maior veracidade ao que está sendo exposto na tela do cinema, deixando a experiência do espectador mais intensa (vai por mim). Para isso clique aqui, aqui ou procure no famigerado google.

“A 5ª Onda” cai na mesmice e não agrada | Crítica

29 01

2016

“A 5ª Onda” é mais um filme que saiu da forma dos filmes adolescente e jovens adultos – mas dessa vez, muito mal feito/ mal escrito/ e perdido.

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Título original: The 5th Wave

Ano de produção: 2016

Distribuição Nacional: Sony Pictures

Duração: 1h 57min

Direção: J Blakeson

Nacionalidade: EUA

Gênero: Aventura, Ficção científica

Nota:  2

O filme A 5ª Onda é uma adaptação de uma série de livro de mesmo nome (por enquanto, dois foram escritos e o terceiro volume deve ser lançado em breve) do autor Rick Yancey. Quando o livro foi lançado, teve muitas dificuldades porque o público tinha muitas outras trilogias para ler e acabou sendo deixado de lado, com o filme, parece ter sido a mesma história.

A história do filme gira em torno de métodos usados por uma raça alienígena para exterminar a humanidade. A 1ª onda de ataques é um pulso eletromagnético que destrói todo tipo de tecnologia (luz elétrica, motores de carros, celulares, computadores, etc) . Na 2ª onda, os aliens causam maremotos, na 3ª onda criam um vírus mortal transmitido por pássaros e, por fim, na 5ª onda, eles se disfarçam de humanos para causar discórdia e desconfiança entre as poucas pessoas que restaram, além de matá-las. Essas ondas acontecem muito rápidas no filme,  ainda no primeiro ato, para nos apresentar ao trama, de cara já conhecemos a protagonista Cassie (Chloë Grace Moretz), a 5ª onda que de fato toma conta do filme, e é nela Cassie toma a missão de resgatar o irmão mais novo, Sam, que foi levado pelo exército .

Depois de tantas adaptações boas, “A  5ª Onda” não se sobressai, e por isso temos a sensação de que já vimos esse filme antes, ou de que sabemos o que vai acontecer no final. As semelhanças com a Katniss Everdeen, de Jogos Vorazes, são enormes, o desafio de Cassie em sobreviver a um mundo selvagem é uma deles, a tentativa de salvar o irmão a qualquer custo é outra,  e um triangulo amoroso morno e quase sem explicação com o misterioso Evan Walker (Alex Roe), e o colega de colégio Ben (Nick Robinson)  é outro. São temas que já vimos em “Maze Runner”, “Crepúsculo” e “Divergente”, só que dessa fez, feitos de uma maneira perdida, porque apelam para tantos acontecimentos de uma só vez que o filme acaba sem emoção nenhuma.

De fato, a trama mais interessante do filme gira em torno da 5 ª onda, em saber quem é humano ou não, mas tudo é tratado de forma tão simplória, resumido basicamente em capacetes e chips, tornando o roteiro e a fotografia falhos. As cenas de ação da explosiva Ringer (Maika Monroe) são as melhores do filme, fazendo com que você lembre de algo bom no final, são melhores até do que as cenas da própria protagonista, não por incompetência de Chloë, mas sim pelo fraquíssimo roteiro.

O livro tem suas características próprias que faz com que seja diferente de tudo e sobreviva no mercado até hoje, mas o roteiro de Akiva Goldsman, Susannah Grant e Jeff Pinkner apostam (errôneamente) nos elementos que o aproximam de franquias como Jogos Vorazes, Crepúsculo (dentre outros). Então, a minha dica é: se quiser saber mais sobre a história, ou se até se interessou pela trama, leia os livros que com certeza vão te mostrar uma história diferente.

Concluindo, me parece que o filme foi feito para vender, e não com o intuito de trazer de fato uma boa história e fazer virar algo para o público, se a Sony quer uma trilogia de sucesso para chamar de dela terá que se esforçar muito mais do que isso nos próximos dois filmes que teremos pela frente da franquia. A esperança, como já diziam, é a última que morre.

Veja o trailer do filme:

Crítica do longa nacional “Tarja Branca” e a reflexão da necessidade do brincar

08 11

2015

A importância do lúdico é o tema do filme que mostra que o brincar deve extrapolar a infância

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O longa metragem brasileiro “Tarja Branca – A Revolução que Faltava” de Cacau Rhoden reflete acerca da ludicidade (na verdade, da falta dela). O documentário nos apresenta a hipótese de que o ato de brincar está cada vez mais ausente em nossa sociedade -e isso é um problema. O longa trata o que se dialoga com o lúdico como algo sério.

Quando foi a última vez que você brincou nos últimos dias? A resposta para a maioria das pessoas é frustrante. Para problematizar a questão, o documentário usa com maestria entrevistas de pessoas de variadas profissões e de alguns projetos de valorização cultural e mistura análises dos profissionais com relatos pessoais, o que gera um aproximação benéfica com o expectador.

https://i2.wp.com/s-media-cache-ak0.pinimg.com/736x/19/3f/ed/193fedb4b2e3d40a69110d9ab50bb35d.jpg?resize=424%2C237&ssl=1Acredita-se que a brincadeira esteja ligada basicamente à infância. Mas não é só isso. O longa demonstra que o adulto vai perdendo a capacidade de se permitir o lúdico. E é aí que está o problema, pois ao se privar da brincadeira, o adulto se priva também das experiências e oportunidades que ela traz: liberdade, plenitude, integridade e, principalmente, te joga, de forma benéfica, pra “fora da casinha”.

Para cada um dos entrevistados que brincam, os “brincantes”, se entregar ao lúdico significa coisas diferentes. Pra um pode ser o próprio ócio, pra outro a literatura, para outro o próprio trabalho, que ele julga ser divertido, desempenha esse papel.

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O filme não apela nesse ponto, mas deixa claro que o provável principal culpado pela perda de brincadeira seja o capitalismo. O modo de produção atual exige dedicação a todo o tempo e não permite momentos de distração, mesmo que isso reflita em perda da produtividade. Portanto, o próprio sistema descredibilizou e restringiu a brincadeira a “assunto de criança”. Talvez isso explique como as pessoas estão cada vez mais desencantadas e exaustas de suas rotinas, empregos e relações.

A criatividade, talvez, nasça justamente do ato lúdico -por isso, ao brincar, a criança quando “nos encanta e é chamada criativa; quando não a compreendemos, é chamada desatenta, hiperativa”, corforme esta resenha do filme do psicólogo Ricardo Brasil.

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Além da bela fotografia, o longa cumpre bem seu papel ao promover uma importante reflexão, mesmo se tornando meio repetitivo em alguns momentos. A valorização da cultura popular (entrevistando o capitão de uma Congada, por exemplo) e da literatura como formas de transgredir da realidade monótona também tornam o filme mais sensível e belo. O longa brinca, inclusive, com o título “Tarja Branca”, que é um trocadilho com o nome dos medicamentos”tarja preta”, e traz a brincadeira também como um remédio pra questões emocionais e nos faz refletir que o adulto que não brinca não consegue plenitude nem satisfação.

O longa está disponível no site de streaming Netflix por meio deste link. Assista ao trailer do filme:

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