Lista completa dos indicados ao Oscar 2016

18 01

2016

Como esperado, “Mad Max: Estrada da Fúria” e “Perdido em Marte” lideram a quantidade de indicações ao maior e mais disputado prêmio cinematográfico do mundo. A Apresentação do prêmio se iniciará com os diretores Guillermo del Toro e Ang Lee, em seguida John Krasinski e a presidente da Academia Cheryl Boone Isaacs darão sequência ao show.

indicados ao Oscar 2016 MIXSEA.COM.BR

A Academia de Artes e Ciências Cinematográficas já revelou os  indicados da edição 2016, confira a lista completa:

FILME
The Big Short
Bridge of Spies
Brooklyn
Mad Max: Fury Road
The Martian
The Revenant
Room
Spotlight

DIREÇÃO
Alejandro González Iñárritu, The Revenant
Tom McCarthy, Spotlight
Adam McKay, The Big Short
George Miller, Mad Max: Fury Road
Ridley Scott, The Martian
Lenny Abramson, Room

ROTEIRO ADAPTADO
The Martian
Brooklyn
The Big Short
Carol
Room

ROTEIRO ORIGINAL
potlight
Bridge of Spies
Inside Out
Ex Machina
Straight Outta Compton

ATOR
Bryan Cranston, Trumbo
Leonardo DiCaprio, The Revenant
Michael Fassbender, Steve Jobs
Eddie Redmayne, The Danish Girl
Matt Damon, The Martian

ATRIZ
Cate Blanchett, Carol
Brie Larson, Room
Jennifer Lawrence, Joy
Charlotte Rampling, 45 Years
Saoirse Ronan, Brooklyn

ATOR COADJUVANTE
Christian Bale, The Big Short
Tom Hardy, The Revenant
Mark Ruffalo, Spotlight
Mark Rylance, The Bridge of Spies
Sylvester Stallone, Creed

ATRIZ COADJUVANTE
Jennifer Jason Leigh, The Hateful Eight
Rooney Mara, Carol
Rachel McAdams, Spotlight
Alicia Vikander. The Danish Girl
Kate Winslet, Steve Jobs

EFEITOS VISUAIS
Ex Machina
Mad Max: Fury Road
The Martian
The Revenant
Star Wars: The Force Awakens

EDIÇÃO
The Big Short
Mad Max
The revenant
Spotlight
Star Wars

DOCUMENTÁRIO (LONGA METRAGEM)
Amy
Cartel Land
The Look of Silence
What Happened, Miss Simone?
Winter on Fire: Ukraine’s Fight for Freedom

FIGURINO
Sandy Powell, Carol
Sandy Powell, Cinderella
Paco Delgado, The Danish Girl
Jenny Beavan, Mad Max: Fury Road
The Revenant

MAQUIAGEM
Mad Max: Fury Road
The Revenant
The 100-Year-Old Man Who Climbed out the Window and Disappeared

DESIGN DE PRODUÇÃO
“Bridge of Spies”
“The Danish Girl”
“Mad Max: Fury Road”
“The Martian”
“The Revenant”

ANIMAÇÃO (LONGA METRAGEM)
Anomalisa
Boy and the World
Inside Out
Shawn the Sheep Movie
When Marley Was There

ANIMAÇÃO (CURTA METRAGEM)
Bear Story
Prologue
Sanjay’s Super Team
We Can’t Live Without Cosmos
World of Tomorrow Tomorrow

CINEMATOGRAFIA
Carol
The Hateful Eight
Mad Max: Fury Road
The Revenant
Sicario

EDIÇÃO DE SOM
Mad Max: Fury Road
The Martian
The Revenant
Sicario
Star Wars: The Force Awakens

MIXAGEM DE SOM
“Bridge of Spies”
“Mad Max: Fury Road”
“The Martian”
“The Revenant”
“Star Wars: The Force Awakens”

TRILHA SONORA
Bridge of Spies
Carol
The Hateful Eight
Sicario
Star Wars

CANÇÃO ORIGINAL
“Earned It” from “Fifty Shades of Grey”
“Manta Ray” from “Racing Extinction”
“Simple Song #3” from “Youth”
“Til It Happens To You” from “The Hunting Ground”
“Writing’s On The Wall” from “Spectre”

obs: A academia não indicou nenhum ator ou atriz negro nesta edição, já sendo o segunda ano seguido

 O Oscar 2016 acontece em 28 de fevereiro

A maravilha do tímido “Os Oito Odiados” de Tarantino | Crítica

14 01

2016

O oitavo filme do aclamado diretor  Quentin Tarantino já está em cartaz nos cinemas brasileiros e divide a crítica no mundo todo em pessoas que amam o filme, e pessoas que se decepcionaram com este trabalho do diretor.

Título original: The Hateful Eight

Ano de produção: 2015

Distribuição Nacional: Diamond Filmes

Duração: 2h 48min

Direção: Quentin Tarantino

Nacionalidade: EUA

Gênero: Drama , Faroeste

Nota: nota 4 MIXSEA

 

A trama de “Os Oito Odiados” se passa alguns anos depois do fim da Guerra da Secessão; as feridas dos Confederados continuam abertas. O oficial John Ruth (Kurt Russell) é o personagem que faz a trama andar, ao levar a fugitiva de justiça Daisy Domergue (Jennifer Jason Leigh) para ser enforcada em Red Rock, mas é o Major Marquis Warren (Samuel L. Jackson) o verdadeiro protagonista. O militar negro ainda goza da vitória diante dos escravagistas na guerra, e mostra sempre, para quem quiser ver, a carta que ele recebeu de Abraham Lincoln, supostamente um confidente seu de correspondências. A partir de um momento no filme, os oito personagens se encontram no mesmo local, no Armazém da Minnie que recebe viajantes, e é neste local que a trama principal se desenrola, já que a nevasca não deixa que ninguém saia, não entrarei em detalhes para não dar spoilers.

Com a pluralidade de um mexicano, um inglês, um xerife e um negro, a trama é rica mas começa muito lenta, o que contribui para o filme chegue a quase 3 horas de duração. Este começo, que é a introdução, é paciente e cautelosa, o que dá a sua lentidão, Tarantino presa muito pela construção dos espaços e dos diálogos, para a construção também dos personagens, então, faz isso com toda a calma do mundo. A apresentação dos personagens nem sempre é feita de ordem direta, eles apresentam alguém para terceiros, como por exemplo: “Esse é o carrasco, quando ele pega alguém, esta pessoa sempre morre enforcada” ou “Esse é o major Warren conhecido na guerra por valer 30 mil dólares a sua cabeça, isso porque…”. O passado dos protagonistas é prioritariamente feito dessa maneira.

A velocidade e tensão de toda a trama muda quando, de repente e de lugar nenhum, surge um narrador pela voz do próprio Tarantino. O diretor ao longo de sua carreira desenvolveu uma persona muito habilidosa, e aparece em suas histórias sempre a um passo de canibalizar a própria trama, ou os próprios personagens. Este narrador que aparece de repente, introduz uma nova trama, muda a tensão do lugar, o telespectador disso tudo se impressiona com a qualidade desta transição, que fica aparente.

Tarantino também problematiza questões sob a qual o seu país foi constituído: racismo, sexismo, xenofobia. Esses problemas aparecem tão fortemente que são personificados pelos personagens Major Marquis Warren, Daisy Domergue e Bob, respectivamente. A carta de provocação a Abraham Lincoln é o que confirma isto tudo, com uma grande ironia: é como se a carta do presidente outorgasse ao major o protagonismo na refundação. Um negro, refundando o país que é racista. A violência também tem seu lugar, e Tarantino faz questão de mostrá-la, não como violência pela violência, mas sim para mostrar o seu ponto, e não dá para se passar uma trama com tanta carga pesada como essa em um cenário como era o da época retratada sem violência, mas com propósito, como já disse.

A fotografia, como sempre, é linda e a filmagem em 70mm tem o propósito de ter a maior dimensão imagética possível para retratar um lugar só, e um lugar pequeno que é justamente o Armazém da Minnie, conseguindo assim intimidade e abrangência ao mesmo tempo. Fotografia quando junta com uma ótima trilha sonora dá um resultado maravilhoso, e é o que vemos neste filme.

Fica claro também, que muito do sucesso dos filmes do Tarantino é a escolha dos atores e atrizes. O dinamismo entre eles é impressionante, cada um com o seu personagem e todos ativos no filme, sem excessos. A dinâmica que eles conseguem dentro do armazém é assim, impecável, eficaz, todos enquadrados no mundo gigante do cineastra Tarantino, fazendo com que o mundo dele, naquele momento se passe somente no pequeno e aconchegante Armazém. É uma pena que o diretor não tenha dado conta de enquadrar os oito personagens de uma vez, o que é realmente difícil para as circunstâncias, então ele enquadra 3 ou quadro personagens e ficamos nos perguntando o que os outros estão fazendo, isso muitas vezes levou o diretor a fazer flash backs na história, o que não é menos difícil quando é bem feita.

“Os Oito Odiados” é o melhor filme do Tarantino? – Não. Nem o mais coeso ou criativo. Para um diretor que vive dizendo que vai parar de dirigir após o décimo filme, no oitavo ele devia ter dado um salto mais astuto e agressivo no seu trabalho, e não é isso que vemos. Mesmo assim, Tarantino faz bem o que se propôs neste filme, e continua um habilidoso manipulador de sensações e sentimentos. Além do mais, mesmo com as falhas, “Os Oito Odiados” é um filme bom e prazeroso para os amantes de cinema.

Trailer:

Precisamos falar sobre Star Wars – O Despertar da Força

08 01

2016

Imagem de star wars and movie

No fim do ano passado (2015, não 14, ok?) estreou nos cinemas do mundo um dos filmes mais aguardados de todos os tempos: star wars episódio 7 – o despertar da força. Que agradou a grande maioria dos fãs antigos e conquistou mais um monte novos não há duvidas. O 7º filme da série tem superado grandes bilheterias da história do cinema. Por isso, e muito mais, esse post é sobre o episódio 7 de star wars. Então, lá vão 7 tópicos sobre o filme (o universo no geral) que eu achei relevante (sem spoilers, portanto sem profundidade no enredo):

1º – PreImagem de force, jedi, and star warscisamos falar sobre Rey: Ela é uma das personagens principais do filme (talvez a principal) e a grande aposta para os próximos, mas o mais interessante é que Rey é uma mulher em um papel que normalmente é interpretado por homens na indústria do cine
ma (outro filme que traz personagens femininas fortes é Mad Max). Quem viu o filme sabe toda a relevância da personagem e quem não viu (o que você tá esperando?) com certeza vai se surpreender. A atriz – Daisy Ridley – é fantástica e cativante, fez total jus à importância da personagem para a trama e, com toda certeza, irá fazer muito mais.

2º – Precisamos falar sobre Finn: Outro personagem de suma importância para o filme é Finn. Stormtrooper fugitivo, Finn foi, brilhantemente, usado como amostra para humanizar e problematizar os soldados. Mas não só por isso, Finn representa uma quebra da soberania de personagens brancos do cineImagem de finn, tfa, and john boyegama. Algo muito decorrente, principalmente com adaptações, é o “whitewashing”, ou
seja, um embranquecimento de personagens. No caso de Star Wars, um personagem principal negro rompeu com isso. E que personagem sensacional!

3º – PRECISAMOS falar sobre o robozinho BB-8: O mais cativante de todos presentes no filme: BB-8. Um robozinho que proporcionou cenas maravilhosas de se assistir. Não há como descrever aquela coisinha sem ser mostrando, por isso, fica aí esse vídeo:

4º – Oscar Isaac e um elenco sen-sa-cio-nal: Oscar Isaac, lupita nyong’o, Daisy Ridley, John BoyegImagem de poe dameron, star wars, and oscar isaaca, Adam Driver, Harrison Ford, Carrie Fisher, Gwendoline Christie e outros formaram um elenco incrível, que proporcionaram cenas e momentos espetaculares! A dinâmica dos personagens e as brilhantes atuações durante todo o filme foram deliciosos de assistir. Destaque, entre o elenco, para Oscar Isaac (Poe Dameron), que, aparentemente, é o novo queridinho da internet (e não é atoa).

5º – AH! As referências: Quem é fã da série não deixou de sorrir com a primeira aparição de Han Solo e do Chewbacca e a cada frase ou cena referência aos filmes antigos, como chamar a Millennium Falcon de lixo (alô Luke Skywalker no episódio IV). O filme mirou no futuro com um pezinho no passado e esse pezinho deixou momentos marcantes para qualquer fã da saga. Mesmo quem não é fã sentiu a nostalgia que o filme transmitiu, talvez, ou principalmente, por ter sido feito por um declarado fã da série: J.J. Abrams.

6º – A INTERNET VAI EXPLODIR COM TANTAS TEORIAS: Se tem uma coisa que o episódio VII fez foi abalar a internet. O merchandising da Disney foi excepcional (quem lembra da barrinha de carregar do google em forma de lightsaber) e logo após a estreia do filme várias teorias sobre os personagens, o que irá acontecer, a relação com o passado tem tomado conta. Eu já li algumas excepcionais, mas não vou postar aqui. Quem tiver interesse, jogue no google: star wars theories e se divirta. NÃO recomendo fazer isso sem ter visto o filme, sério. Contém muitos spoilers.

7º – Mal podemos esperar para o próximo episódio: O próximo filme da série será um spin-off chamado “Rogue one- a star wars story” com data de lançamento para 2016. Já a sequência do Despertar da Força tem data marcada para 2017 e mal podemos esperar por ele! Mas, enquanto 2017 não chega nos resta esperar e procurar entender um pouco mais sobre esse universo que vai muito além dos cinemas – sério – ou rever o episódio VII muitas e muitas vezes, porque é bom demais! 😀

BB-8, FINN, REY, CHEWIE AND HAN AT THE MILLENNIUM FALCON. (A dinâmica desse grupo é uma das melhores coisas do filme).

Obs.: Tem tanta coisa nesse filme que é MARAVILHOSO, alguns nem tanto (Kylo Ren), mas eu tentei ao máximo não dar spoilers. Inlcusive, ninguém deveria saber algo sobre o filme antes de vê-lo, a surpresa do plot é uma das melhores sensações.

Amélie Poulain e os pequenos prazeres da vida

06 11

2015

O fabuloso destino de Amélie Poulain é um filme francês cuja direção foi feita por Jean-Pierre Jeunet. É um filme antigo, o lançamento no Brasil aconteceu em 2002, mas, ainda hoje, é bastante assistido e aclamado.Imagem de amelie, movie, and amelie poulain

Ele conta a história de Amélie, uma garota que cresceu isolada das outras crianças devido aos pais acharem que ela tinha algum problema no coração. Foi educada em casa pela mãe, que perdeu quando ainda era nova. Devido aos acontecimentos da sua infância, Amélie cresceu e se tornou uma adulta com uma visão moldada e deturbada dos outros a sua volta. Ela saiu de casa e passou a morar sozinha em Paris. Passou a viver uma vida acomodada e com uma rotina monótona. Até que um dia, encontrou uma caixinha de criança escondida em seu apartamento. Uma caixinha que um dia já pertencera a um menino.

Seu momento de epifania foi esse, de encontrar a caixinha, o que despertou em Amélie uma vontade imensa de devolvê-la ao dono. Uma vontade de se doar, e ela dedicou, então, sua vida em cumprir esse objetivo, até quando o realizou e viu como o dono da caixinha se emocionou em recebê-la.  A visão que Amélie tinha dos outros foi remodelada naquele momento. Ela, que sempre buscara sentir os pequenos prazeres da vida, descobriu o melhor e maior de todos: o prazer de ajudar o outro, de fazer a vida do outro melhor.

O filme se desenrola com Amélie ajudando, de forma anonima (o que mostra que ela não estava fazendo o que fazia para ser reconhecida, e sim, para se sentir bem), aqueles que a rodeavam. Desde juntar um casal à melhorar a vida de um garoto maltratado e influenciar o pai a sair de casa para viajar – o que ele não fez desde que a mãe morreu. Amélie dedicou sua vida aos outros, buscou o sentido da vida.

Durante essa busca, no entanto, ela deixou de lado algo que também importava. Ela esqueceu de se ajudar, de si mesma. Na procura da satisfação em ajudar o próximo, Amélie se esqueceu. Até que esbarrou em alguém, alguém que viria a evitar encontrar por muito tempo. Alguém que, talvez, pudesse ser o amor da sua vida.

O fato de Amélie relutar tanto em encontrar com o homem da máquina de fotos demonstra e materializa toda a sua personalidade moldada desde a infância. Há uma fala no filme, em que o “Glass man” diz: you mean she would rather imagine herself relating to an absent person than build relationships with those around her? Ou seja, você quer dizer que ela preferiria se imaginar se relacionando com uma pessoa ausente do que construir relacionamentos com outros ao redor dela? A resposta para essa pergunta é sim. Até que ela recebe “um empurrãozinho”, ela prefere não se relacionar com os outros.

Imagem de amelie and quoteImagem de amelie, lonely, and amelie poulain

Em suma, Amélie Poulain descobre os menores prazeres da vida. Ela consegue viver solidariamente, mas também encontrar alguém para si e para preencher um vazio interno. “O fabuloso destino de Amélie Poulain” é um filme melancólico, mas doce e feliz na mensagem que traz. É um daqueles filmes, que mesmo com mais de 10 anos de existência e, mesmo já sendo visto repetidamente, faz com que o público se derreta ao mirar a tela e ouvir a trilha sonora (fantástica) tão marcante.

Imagem de amelie, gif, and movie

So, my little Amélie, you don’t have bones of glass. You can take life’s knocks. If you let this chance pass, eventually, your heart will become as dry and brittle as my skeleton. So, go get him, for Pete’s sake!

 

Obs.: A quem se interessar, ouça a trilha sonora do filme completa aqui:

“Que Horas Ela Volta?” | Crítica e Reflexão

27 09

2015

Que Horas Ela Volta MIXSEA

Título original: Que horas ela volta?

Coprodução: Globo Filmes, Gullane, África Filmes

Ano de produção: 2015

Duração: 1h 51min

Direção: Anna Muylaert

Nacionalidade: Brasil

Gênero: Drama

Nota: nota 5 MIXSEA

 

A aposta brasileira para disputar, em 2016, uma das cinco vagas na categoria de melhor filme estrangeiro no Oscar é o longa “Que Horas Ela Volta?” da diretora Anna Muylaert.

https://i1.wp.com/imguol.com/c/entretenimento/c4/2015/08/25/poster-de-que-horas-ela-volta-1440481894769_768x1137.jpg?resize=368%2C545

O filme apresenta com maestria as diferentes classes sociais e ilustra a relação tradicional patrão-empregado. Regina Casé interpreta brilhantemente Val: uma empregada doméstica que trabalha e mora na casa de Bárbara (Karine Teles) e José Carlos (Lourenço Mutarelli), os patrões de classe média-alta.

Os patrões dizem que Val é “praticamente da família”: as refeições, por exemplo, são separadas; Val jamais senta à mesa com os patrões, apesar de montá-la e retirá-la; A empregada mora num quartinho dos fundos; Val nunca pôs os pés na piscina da casa. Ainda assim, afirmam que ela é “praticamente da família”.

A “casa grande” dos patrões é fria. A impessoalidade já é simbolizada pelo corredor que leva aos quartos: escuro, meio remoto e com portas predominantemente fechadas que não têm comunicação entre si. Em determinada cena, há um silêncio quase absoluto enquanto todos à mesa no jantar usam seus smartphones. Val exerce um papel mais verdadeiro de mãe aos filhos dos patrões do que (já me permito chamá-la apenas de) a biológica, tanto que o filme recebeu o nome “The Second Mother” fora do Brasil. Fabinho, o filho adolescente, vai frequentemente ao quarto de Val desabafar e receber um afeto genuíno. A “senzala” é, literalmente e simbolicamente, quente.

A diretora do filme tem o cunho social presente na maioria de suas obras. Nesta, o destaque à dialética patrão-empregado é fabulosa e, com ressalvas, atual. Regina Casé interpreta Val de forma brilhante. Trabalha com naturalidade e utiliza expressões típicas que trazem humor e ironia à trama.

A história adquire um novo rumo com a chegada de Jéssica (interpretada por Camila Márdila), filha que Val não via há 10 anos, morava no nordeste e veio a São Paulo prestar vestibular para ingressar na concorrida Faculdade de Arquitetura e Urbanismo (FAU) da USP. Se vê, portanto, um país ligeiramente mudado, em que pobre viaja de avião e consegue, mesmo que com inúmeras dificuldades, sonhar alto. Jéssica é questionadora, crítica, estrategista, subversiva, tem o “nariz empinado” e não aceita a relação a que a mãe é submetida. É incrível como é fácil se criar certa antipatia por ela durante boa parte da trama. Jéssica já meio que se convida a ficar no quarto de hóspedes, ao invés de dividir com a mãe o quartinho dos fundos – e José Carlos, o patrão, aceita, o que deixa Barbara, a patroa, possessa. Meio abusada, em certo momento, Jéssica faz a patroa da mãe preparar uma bebida pra ela. A filha da empregada dispensa, inclusive, o “Dona” ao chamar a patroa. Inversão dos papéis?

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Há vários símbolos no filme. No aniversário de Barbara, por exemplo, Val a presenteia com um jogo de xícaras e uma garrafa de café. A patroa finge que gosta, mas acaba fazendo pouco caso ao dizer algo do tipo “guarda lá que usamos em uma ocasião especial”. Val dispõe as xícaras na bandeja como ilustram os rótulos sociais: tudo separado – uma branca, uma branca, uma branca, uma preta… (Possível alusão à realidade que, no final, “o preto” não se encaixa no que é “de branco”?) No aniversário da patroa rica só se vê branco –xícaras e convidados. No evento, Val tenta usar as xícaras (não eram pra se usar “em uma ocasião especial?), no entanto, a patroa a repreende. Além disso, na casa são servidos dois sorvetes: o importado que “é do Fabinho” (filho dos patrões) e o outro qualquer que é do resto (inclui Val e Jéssica). Talvez exista aí mais uma alegoria de vários lares brasileiros.

Camila Márdila interpreta brilhantemente a adolescente que não entende o porquê não poder se sentar com os patrões. Sempre que ela tenta quebrar alguma convenção social se tem a impressão de que ela é “pra frente” demais, ou intrometida demais. Sim, um tapa na cara da classe média, pois, quando o espectador percebe, cria antipatia pela filha da empregada por, basicamente, negar o discurso dominante da elite. Afinal, segundo Michel Foucault, “ao afirmar a relação entre poder e saber, Foucault cria uma definição nova que garante que o poder do discurso pode funcionar negativamente, distorcendo a verdade e garantindo a dominação do poder opressor.”

Nota-se a proximidade de Fabinho com Val (e seu acolhimento materno) e de Jessica com o patrão (e sua cultura “erudita”, apesar das segundas intenções dele). Diante das estripulias da filha com os patrões, Val diz a ela que “quando eles oferecem alguma coisa é só por educação, porque eles têm certeza que vamos dizer não”. Ouvir isso dói, porque sabemos que é a realidade. Já sobre educação? Questionável.

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Jéssica não entende como a mãe nunca tenha entrado naquela piscina, sendo repreendida antes de pensar em entrar na água. O filho da patroa começa a brincar com Jéssica e a joga na piscina enquanto ela fingia (e apenas fingia) não querer, o que enfurece Bárbara e faz Val procurar uma casa para ela e a filha morarem. A negociação do aluguel dá errado e as duas têm que voltar à casa dos patrões. José Carlos, num surto de loucura (apesar de ter dado indícios de atração pela adolescente), pede Jessica em casamento. Parece brincadeira, mas o pedido é sério (disfarçado de brincadeira), ele termina constrangido e desconversa a proposta.

Val e Jessica discutem e a filha afirma não suportar ver a mãe ser tratada como alguém de “segunda classe”. Percebe-se aqui a subversão da filha diante da relação social em questão. Barbara diz ter visto um rato na piscina, manda desfazer a piscina e diz a Val para deixar Jéssica da porta da cozinha pra lá. Seria Jéssica, a adolescente pobre, o rato? Este é o lugar do pobre para a elite: pra lá da porta da cozinha?

Jéssica resolve ir embora da casa, faz a prova do vestibular e vai muito bem. Passa para a segunda fase do exame, ao contrário de Fabinho que não tem o mesmo sucesso. A pobre passou, o rico não. Barbara parabeniza Val pela filha com um tom de inveja na voz. Fabinho aceita os carinho de Val e nega os da outra mãe, que é, na prática, apenas biológica. Péssimo dia pra família tradicional branca de classe média-alta brasileira, não?

No entanto, me incomodou um pouco o fato de Jéssica ser excessivamente folgada às vezes e, embora isso seja provavelmente proposital, o relacionamento de José Carlos com a família é quase inexistente, apesar de todos viverem com o dinheiro da herança do pai dele.

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Mais ao final do longa, talvez o momento de epifania da trama, Val entra na piscina, simbolizando o pobre que não se cala. Ela termina aprendendo com a filha, pedindo demissão e se livrando da condição inferiorizada pregada pelo discurso dominante. Arruma uma casa para ela, a filha e o neto que tinha ficado no nordeste e Jéssica escondia da mãe. Val traz o jogo de xícaras que tinha dado à patroa e o distribui novamente na bandeja. Agora a metáfora não segrega mais. É preto no branco e branco no preto. Tudo misturado, sem distinção. Como a própria Val disse, igual à filha.

“Que Horas Ela Volta?” promove reflexão em quem lhe assiste sobre a realidade em que vivemos. Demonstra que pobre não deve estar abaixo do rico. Que a empregada (e seus eufemismos, como “ajudante”) também não estão. Que pobre não nasceu pra ser pisado. Enfim, demonstra que pobre não serve apenas pra ficar pra lá da porta da cozinha!

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