O bem feito “X-men Apocalipse” | Crítica

20 05

2016


Título: X-men Apocalipse


Direção:
 Bryan Singer

Ano: 2016

Duração: 2 horas e 24 minutos

Nacionalidade: EUA

Gênero: Ação, Fantasia

Nota: nota 5 MIXSEA

NOTA: O POST A SEGUIR CONTÉM SPOILERS DO FILME X-MEN APOCALYPSE. NÃO LEIA SE AINDA NÃO VIU O FILME.

Dia 19/05 estreiou nos cinemas brasileiros o mais novo longa da franquia x-men dos cinemas: X-men Apocalipse. Ambientado nos anos 80 (1983, mais especificamente) o filme tem como base dois segmentos: a (re)criação dos x-men, com o recrutamento dos famosos mutantes Jean Grey, Scott Summers, Noturno, e outros, e a história do lendário vilão Apocalipse.

Tendo como foco o segundo segmento, primeiramente, o vilão Apocalipse ganha o público já na cena de abertura, em que é mostrada de maneira fenomenal a sua história no Egito Imagem de apocalypse, movies, and foxantigo (alguns acreditam ter sido a melhor cena de abertura da franquia desde X-men 2). Milhares de anos depois – vale ressaltar a criatividade da passagem do tempo do Egito Antigo para os anos 1980 –  Apocalipse é ressuscitado e acorda em um mundo completamente diferente do que conhecia, em que os humanos perderam o rumo da humanidade com os seus falsos Deuses e suas superpotências.  Ele parte, então, em busca dos seus Quatro Cavaleiros – peste, guerra, morte e fome – para dar início à reformulação do mundo.

Por outro lado, temos a escola Charles Xavier para jovens superdotados, um tipo de santuário mutante, o lugar em que crianças e jovens podem aprender e viver sem se preocupar com questões como preconceito. Pelo menos enquanto estão ali. Embora o mundo tenha aceitado os mutantes, não quer dizer que ele tenha os abraçado. Crítica que fica clara com o recrutamento de Noturno pela Mística e em um diálogo entre esta e Charles.

Apesar dessa questão de inclusão, sempre presente nos filmes da franquia, uma vez que é exatamente isso que os mutantes representam – minorias da sociedade e a aceitação desta para com aqueles – é emocionante ver a interação dos jovens mutantes – Jean, Scott, Mercúrio e Kurt – entre si e com os mais antigos – Mistica, Fera e, principalmente, Xavier. A química entre o trio mais novo (sem mercúrio, uma vez que ele paira entre os mais antigos, e sem Jubilee, uma vez que a mesma só tem uma participação de fan service no filme) é tangente e nos leva a querer uma exploração maior deles sendo adolescentes – fugindo da escola para ver Star Wars (!).

Além disso, o desenvolvimento individual de vários personagens foi bem explorado durante todo o filme. Jean fica como a grande surpresa, Scott como o personagem cuja personalidade foi mais afetada pelos acontecimentos e Kurt como alívio cômico, sem ser forçado, apenas sendo fiel ao querido personagem dos quadrinhos. Mística é apenas uma figura heroica para os mais novos, sem ser protagonista de tudo, como muitos acharam que aconteceria. Fera é, como sempre, o braço direito de Charles, porém mais incisivo em achar que eles devem se preparar para lutar.

Charles, tão bem interpretado por JamesImagem de cyclops, x-men, and jean grey Mcavoy, se torna o famoso Professor que tanto conhecemos. Mercúrio protagoniza duas cenas míticas e tem seu próprio amadurecimento revelado quando a questão é o seu pai, Magneto, que por sua vez, possui um arco próprio que paira entre um cara normal, vilão e herói. E, por último, não antes citada aqui, Tempestade, bastante criticada até então, mas que, na minha opinião, foi correta no seu papel durante o filme: uma adolescente sem família ou amor, que rouba para viver. Extremamente manipulável por Apocalipse, que lhe dá grandeza. O bom caráter de Ororo não foi totalmente corrompido, como é possível notar no filme e, para ela, podemos apenas esperar mais aparições em que a mesma obtenha protagonismo.

Obviamente um filme com tantos personagens não conseguiria ser eficiente em tratar da história de todos com a mesma importância que cada um merece. No caso de X-men Apocalipse, sendo isso o que o filme mais deixa a desejar, é a pouco exploração de dois cavaleiros: Psylocke (Betsy) e Anjo/Arcanjo (Warren Worthington III). A impressão que esses personagens deixam é que foram usados para “tapar um buraco”, o que é lamentável, uma vez que ambos tem histórias incríveis nos quadrinhos. Embora Psylocke protagonize cenas fantásticas de luta, a personagem mal abre a boca e, do mesmo modo, embora o Anjo protagonize uma das cenas mais fortes do filme (quando ganha as asas metálicas), ele se mostra descartável, inútil. Não há menção alguma sobre de onde esses personagens surgiram, quem eles são de verdade.

Por fim, o filme é feliz em adaptar um dos arcos mais famosos das histórias dos mutantes para o cinema. Os aspectos técnicos, como a voz do vilão, são bons e os personagens tem, todos eles, até os com menos aparições ou falas, a sua importância. O filme transmite seriedade, mas sem forçar, e é cômico na medida correta. Não só os personagens se conectam, mas o filme possui referências de outros filmes da franquia e das HQs. Lembra o desenho X-men Evolution. Quem é fã sai com um sentimento de “finalmente” e quem não é de surpresa.

Veja o trailer:

O lindo e cativante filme Zootopia | Crítica

08 04

2016

 

Imagem de bunny and zootopiaTítulo: Zootopia: Essa Cidade é o Bicho

Direção: Byron Howard, Rich Moore

Ano: 2016

Duração: 1hora e 48 minutos

Nacionalidade: EUA

Gênero: Animação

Nota: nota 5 MIXSEA

 

   O mais novo longa da Disney, Zootopia conta a história da coelinha Judy Hopps, cujo sonho é se tornar uma policial da cidade de Zootopia – o lugar onde predadores e presas vivem em perfeita harmonia. Apesar de todos dizerem que Judy nunca se tonaria uma policial, pois uma coelha é “dócil” demais, ela não desiste, batalha e persiste para realizar seu sonho.

   Se muda, então, para Zootopia e lá se envolve com o malandro Nick WImagem de zootopiailde, uma raposa (animal “inimigo” natural dos coelhos e conhecido como trapaceiros) ao executar suas tarefas de policial, tarefas estas que a levam a uma investigação e perigos maiores do que jamais imaginou.

   Extremamente cativante, com cenas engraçadas, fofas e até tristes, Zootopia emplaca em variados aspectos. Agrada desde à criança, que vê o filme pelos animais, até ao adulto, que entende as críticas sociais ali presentes – a lerdeza do sistema público, por exemplo.

   É um filme cheio de referências a outros filmes da Disney e até aos clássicos “O Poderoso Chefão” e o “Morro dos Ventos Uivantes”, mas bem sucedido em ser autossuficiente e ganhar o coração de quem assiste. Traz aspectos morais importantíssimos como a luta contra o racismo, pela inclusão das minorias e a busca pela aceitação perante a sociedade. Os personagens, sejam eles os protagonistas ou aparições momentâneas, envolvem e deixam a sua importância para trama.

   Assista abaixo ao trailer do longa ou corra para o cinema e assista ao filme:

 

 

Amélie Poulain e os pequenos prazeres da vida

06 11

2015

O fabuloso destino de Amélie Poulain é um filme francês cuja direção foi feita por Jean-Pierre Jeunet. É um filme antigo, o lançamento no Brasil aconteceu em 2002, mas, ainda hoje, é bastante assistido e aclamado.Imagem de amelie, movie, and amelie poulain

Ele conta a história de Amélie, uma garota que cresceu isolada das outras crianças devido aos pais acharem que ela tinha algum problema no coração. Foi educada em casa pela mãe, que perdeu quando ainda era nova. Devido aos acontecimentos da sua infância, Amélie cresceu e se tornou uma adulta com uma visão moldada e deturbada dos outros a sua volta. Ela saiu de casa e passou a morar sozinha em Paris. Passou a viver uma vida acomodada e com uma rotina monótona. Até que um dia, encontrou uma caixinha de criança escondida em seu apartamento. Uma caixinha que um dia já pertencera a um menino.

Seu momento de epifania foi esse, de encontrar a caixinha, o que despertou em Amélie uma vontade imensa de devolvê-la ao dono. Uma vontade de se doar, e ela dedicou, então, sua vida em cumprir esse objetivo, até quando o realizou e viu como o dono da caixinha se emocionou em recebê-la.  A visão que Amélie tinha dos outros foi remodelada naquele momento. Ela, que sempre buscara sentir os pequenos prazeres da vida, descobriu o melhor e maior de todos: o prazer de ajudar o outro, de fazer a vida do outro melhor.

O filme se desenrola com Amélie ajudando, de forma anonima (o que mostra que ela não estava fazendo o que fazia para ser reconhecida, e sim, para se sentir bem), aqueles que a rodeavam. Desde juntar um casal à melhorar a vida de um garoto maltratado e influenciar o pai a sair de casa para viajar – o que ele não fez desde que a mãe morreu. Amélie dedicou sua vida aos outros, buscou o sentido da vida.

Durante essa busca, no entanto, ela deixou de lado algo que também importava. Ela esqueceu de se ajudar, de si mesma. Na procura da satisfação em ajudar o próximo, Amélie se esqueceu. Até que esbarrou em alguém, alguém que viria a evitar encontrar por muito tempo. Alguém que, talvez, pudesse ser o amor da sua vida.

O fato de Amélie relutar tanto em encontrar com o homem da máquina de fotos demonstra e materializa toda a sua personalidade moldada desde a infância. Há uma fala no filme, em que o “Glass man” diz: you mean she would rather imagine herself relating to an absent person than build relationships with those around her? Ou seja, você quer dizer que ela preferiria se imaginar se relacionando com uma pessoa ausente do que construir relacionamentos com outros ao redor dela? A resposta para essa pergunta é sim. Até que ela recebe “um empurrãozinho”, ela prefere não se relacionar com os outros.

Imagem de amelie and quoteImagem de amelie, lonely, and amelie poulain

Em suma, Amélie Poulain descobre os menores prazeres da vida. Ela consegue viver solidariamente, mas também encontrar alguém para si e para preencher um vazio interno. “O fabuloso destino de Amélie Poulain” é um filme melancólico, mas doce e feliz na mensagem que traz. É um daqueles filmes, que mesmo com mais de 10 anos de existência e, mesmo já sendo visto repetidamente, faz com que o público se derreta ao mirar a tela e ouvir a trilha sonora (fantástica) tão marcante.

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So, my little Amélie, you don’t have bones of glass. You can take life’s knocks. If you let this chance pass, eventually, your heart will become as dry and brittle as my skeleton. So, go get him, for Pete’s sake!

 

Obs.: A quem se interessar, ouça a trilha sonora do filme completa aqui:

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